IPO da SpaceX levanta US$ 75 bi e empresa vale US$ 1,7 tri
IPO da SpaceX levanta US$ 75 bi e empresa vale US$ 1,7 tri

A SpaceX, empresa de foguetes reutilizáveis de Elon Musk, está levantando US$ 75 bilhões na maior oferta inicial de ações (IPO) da história, elevando seu valor de mercado para mais de US$ 1,7 trilhão. Esse valor supera o Produto Interno Bruto (PIB) da Turquia, estimado em US$ 1,64 trilhão.

Spacex se consolida como potência global

A transação posiciona a SpaceX como uma das dez empresas mais valiosas do mundo, fortalecendo sua influência em políticas industriais, regulações e padrões tecnológicos. A empresa pretende usar o capital para desenvolver satélites com inteligência artificial, enquanto impulsiona seu capital político.

“Empresas como a SpaceX e a Tesla movimentam tanto dinheiro que podem condicionar o mercado e eleger presidentes”, analisa André Sacconato, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

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Dependência governamental e contratos bilionários

O maior cliente da SpaceX é o governo dos Estados Unidos. Na última década, a SpaceX e a Tesla receberam pelo menos US$ 18 bilhões em contratos federais. A SpaceX, sozinha, conquistou mais de US$ 17 bilhões desde 2015, sendo a principal contratada da Nasa para transporte espacial.

Megacontratos não são exclusividade de Musk. A Nvidia, fabricante de chips para IA, tem parcerias com governos do Reino Unido e da Coreia do Sul. A empresa também é peça central na disputa geopolítica entre EUA e China, com restrições à exportação de chips avançados.

Influência política e captura regulatória

Bilionários foram responsáveis por 19% das contribuições para campanhas federais nos EUA em 2024, totalizando quase US$ 3 bilhões. “Corporações exercem influência financiando campanhas e projetos governamentais”, diz Sacconato.

No Brasil, as relações de Daniel Vorcaro, do Banco Master, com autoridades são um símbolo desse cenário. “Há uma promiscuidade entre poder econômico e político”, critica Ana Frazão, professora da UnB. “Isso desbalanceia a democracia.”

Concentração econômica e poder assimétrico

Frazão aponta que o alto índice de concentração econômica em poucos agentes amplifica o poder político. “Muitas macroempresas têm faturamento maior que o PIB de países. O poder político é consequência.”

Renato Costa, professor da ESALQ/USP, explica que empresas de tecnologia controlam infraestruturas essenciais: plataformas digitais, IA, satélites e dados. “O Estado negocia em posição simétrica, não mais de cima para baixo.”

Regulação e freios e contrapesos

Em abril de 2025, a Comissão Europeia multou Meta e Apple sob a nova Lei dos Mercados Digitais. No Brasil, o Cade investiga concentração de poder de mercado. “Ainda é possível assumir o controle com leis antitruste e marcos regulatórios”, afirma Frazão.

Costa destaca que empresas inovadoras trazem ganhos, mas também desafios como concentração de poder e captura regulatória. “A pergunta é como se relacionar sem abrir mão do interesse público.”

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