A Intel divulgou nesta quinta-feira (24) um prejuízo líquido de US$ 1,6 bilhão no segundo trimestre de 2026, aprofundando as perdas em relação ao mesmo período do ano anterior, quando registrou déficit de US$ 450 milhões. Apesar do resultado negativo, a receita da gigante dos semicondutores surpreendeu o mercado ao alcançar US$ 13,2 bilhões, alta de 9% na comparação anual, impulsionada pelo crescimento das vendas de chips para inteligência artificial (IA).
Receita de IA compensa queda em setores tradicionais
O segmento de IA da Intel, que inclui os processadores Gaudi e as novas unidades de processamento neural (NPUs), gerou US$ 3,1 bilhões em receita no trimestre, mais que o dobro dos US$ 1,4 bilhão registrados um ano antes. Esse crescimento ajudou a compensar a retração de 12% nas vendas de chips para PC, que somaram US$ 7,4 bilhões, e a queda de 8% no segmento de data centers tradicionais, que atingiu US$ 4,2 bilhões.
"Estamos vendo uma demanda sem precedentes por soluções de IA, e a Intel está se posicionando para capturar essa oportunidade", afirmou a CEO Pat Gelsinger em comunicado. "Embora ainda tenhamos trabalho a fazer para melhorar a rentabilidade, os resultados mostram que nossa estratégia está no caminho certo."
Margens apertadas e custos de reestruturação
O prejuízo líquido foi influenciado por custos de reestruturação de US$ 800 milhões, relacionados ao plano de demissão de 15% da força de trabalho, anunciado em maio. A margem bruta caiu para 35,4%, ante 38,7% no segundo trimestre de 2025, refletindo os investimentos em novas fábricas e em P&D de IA. A empresa também registrou despesas operacionais de US$ 6,8 bilhões, 14% acima do ano anterior.
"O aumento dos gastos com P&D é necessário para competir no mercado de IA, mas pesa nos resultados de curto prazo", explicou o CFO David Zinsner. "Esperamos que as margens melhorem a partir do segundo semestre, à medida que as vendas de chips de IA ganhem escala."
Perspectivas otimistas para o segundo semestre
A Intel projeta receita de US$ 14,5 bilhões para o terceiro trimestre, acima da estimativa média de analistas de US$ 13,8 bilhões, segundo a Refinitiv. A empresa também elevou a previsão de receita anual de IA para US$ 12 bilhões, ante US$ 10 bilhões anteriores. O anúncio fez as ações da Intel subirem 4,2% no after-market, após fecharem em alta de 1,8% no pregão regular.
"A Intel está finalmente colhendo os frutos de sua aposta em IA", avaliou o analista da Bernstein, Stacy Rasgon. "O desafio será sustentar esse crescimento enquanto gerencia os custos." A empresa planeja iniciar a produção em massa de seus chips de IA de próxima geração, fabricados com o processo Intel 18A, no quarto trimestre.
Concorrência acirrada no mercado de chips
Apesar do avanço, a Intel ainda enfrenta forte concorrência da Nvidia, que domina o mercado de chips para IA com mais de 80% de participação, e da AMD, que tem ganhado terreno com suas GPUs Instinct. No segmento de PC, a Intel mantém a liderança, mas a AMD ampliou sua fatia para 25%, segundo a Mercury Research. A companhia também anunciou parceria com a Microsoft para integrar seus chips de IA ao sistema operacional Windows, visando impulsionar as vendas no segmento corporativo.



