A recuperação plena dos níveis de inadimplência no setor varejista brasileiro ainda é um cenário distante, de acordo com a agência de classificação de risco Fitch Ratings. A mediana dos recebíveis com atraso superior a 90 dias entre varejistas que possuem operações financeiras atingiu 14,4% no primeiro trimestre de 2024, cerca de 50% acima dos níveis observados antes da pandemia de Covid-19.
Cenário de inadimplência elevada
Segundo a Fitch, as financeiras ligadas ao varejo devem manter uma abordagem conservadora na concessão de crédito, dado que a perspectiva de melhora significativa nos índices de inadimplência é remota no curto prazo. A agência destaca que o patamar atual de 14,4% representa um desafio para a rentabilidade e a saúde financeira das empresas do setor.
O aumento da inadimplência é atribuído a fatores como o endividamento das famílias, a inflação persistente e as taxas de juros elevadas, que pressionam a capacidade de pagamento dos consumidores. A Fitch ressalta que, mesmo com a desaceleração da inflação, a recuperação do crédito ao consumo deve ser lenta.
Impacto nas varejistas
As varejistas com operações financeiras, como Lojas Americanas, Magazine Luiza e Via Varejo, são as mais afetadas. A Fitch prevê que essas empresas continuarão a adotar políticas de crédito mais restritivas, o que pode limitar o crescimento das vendas a prazo. A agência também alerta que a inadimplência elevada pode levar a um aumento nas provisões para devedores duvidosos, impactando os lucros.
Apesar do cenário desafiador, a Fitch não prevê uma deterioração adicional significativa, mas também não espera uma melhora substancial no curto prazo. A mediana de 14,4% no primeiro trimestre é um indicador de que o setor ainda está longe de se normalizar.



