O governo decidiu, nesta terça-feira, ampliar a mistura do etanol na gasolina como parte dos esforços para conter a alta de preços. Desde o início da guerra no Irã, a cotação do petróleo no mercado internacional já subiu mais 20%. Medidas adotadas pelo governo, como subvenções e reduções temporárias de impostos, evitaram uma alta mais forte da gasolina. Mas, ainda assim, o etanol se tornou mais vantajoso nos últimos meses.
Etanol mais barato em 11 estados
O mais recente levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo (ANP) aponta que, em 11 de 26 estados pesquisados (no Amapá, a ANP não encontrou postos com etanol), o combustível renovável está com preço que torna o abastecimento mais econômico. O etanol rende menos, então, não basta estar mais barato do que a gasolina para ser mais vantajoso. Como regra geral, os especialistas recomendam fazer a seguinte conta, bem simples: multiplicar o valor da gasolina por 0,7 – ou 70%. Vai ser mais vantajoso abastecer com etanol quando o combustível renovável custar no máximo 70% do preço da gasolina.
E, em 11 estados, o etanol está custando agora menos de 70% do preço da gasolina. Veja a lista: Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins. Mas a situação pode mudar de posto para posto dentro de um mesmo estado. E, dependendo do veículo, o rendimento do etanol pode ser maior ou menor do que a média de 70% usada como parâmetro.
Como calcular a vantagem do etanol
Marcio D'Agosto, professor de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ, explica que o etanol tem 30% menor conteúdo energético do que a gasolina. Isso significa que é como se o álcool tivesse menos capacidade do que a gasolina de movimentar o veículo por litro. No entanto, cada carro tem um desempenho e, da mesma forma, um valor específico para avaliar qual alternativa é mais vantajosa. Para isso é preciso saber o gasto médio da gasolina e do etanol em cada veículo. Nos veículos mais modernos essa relação aparece, geralmente, no painel como uma função de autonomia. Segundo D'Agosto, em carros mais antigos é preciso fazer o cálculo para chegar a esse número.
O mesmo método serve para gasolina e etanol, basta fazer o seguinte passo a passo: encha o tanque; anote a quilometragem antes de sair do posto; na próxima vez que for abastecer, complete o tanque; anote a nova quilometragem e o volume de combustível abastecido; subtraia a quilometragem final pela inicial e divida pelo volume de combustível abastecido. O resultado dessa divisão será o desempenho médio de seu veículo por combustível, ou seja, qual é a quilometragem que ele trafega com etanol ou com gasolina. Mas, se você ainda não sabe qual é o desempenho médio de seu carro e precisa decidir qual combustível usar, é possível usar como uma boa regra de aproximação a referência de que vai ser mais vantajoso abastecer com etanol quando o combustível renovável custar no máximo 70% do preço da gasolina.



