O número de autorizações para importação de produtos à base de cannabis medicinal no Brasil atingiu um novo recorde em maio, com mais de 18 mil solicitações aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os dados, obtidos via Lei de Acesso à Informação e compilados pela plataforma Cannect, indicam uma consolidação do uso terapêutico da cannabis no país.
Recorde mensal de importações
Em maio, foram registradas 18.043 autorizações de importação de medicamentos e insumos à base de cannabis, superando o recorde anterior de 17.452, registrado em março deste ano. O crescimento reflete a ampliação do acesso a tratamentos com canabinoides, principalmente para condições como epilepsia refratária, dor crônica, ansiedade e transtornos do espectro autista.
De acordo com o levantamento, o número de autorizações vem crescendo de forma consistente desde 2020, quando a Anvisa flexibilizou as regras para importação de produtos derivados de cannabis. Em 2023, a média mensal era de cerca de 12 mil autorizações; em 2024, já ultrapassa 16 mil.
Perfil dos pacientes e produtos
Os dados mostram que a maioria das importações é de óleos de cannabis de espectro completo ou com altos teores de CBD (canabidiol). Os estados com maior volume de autorizações são São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, concentrando cerca de 60% do total.
“A cannabis medicinal deixou de ser uma alternativa marginal e se consolidou como uma opção terapêutica relevante no Brasil. O crescimento das importações reflete tanto a demanda dos pacientes quanto a maior aceitação dos médicos prescritores”, afirmou um porta-voz da Cannect.
Desafios e perspectivas
Apesar do avanço, especialistas apontam que o alto custo dos produtos importados ainda é uma barreira para a maioria dos pacientes. Um frasco de óleo de cannabis pode custar entre R$ 200 e R$ 1.200, dependendo da concentração e do laboratório. A produção nacional ainda é incipiente, mas a Anvisa já aprovou o cultivo de cannabis para fins medicinais por associações de pacientes, o que pode baratear o tratamento no futuro.
A Cannect projeta que, se mantido o ritmo atual, o número de autorizações mensais pode chegar a 25 mil até o fim de 2024. A empresa também destaca a necessidade de regulamentação mais clara para a prescrição e o uso de cannabis medicinal no SUS.



