Hypera, Sun Pharma e Sandoz entram na disputa das canetas de emagrecimento
Hypera, Sun Pharma e Sandoz disputam mercado de canetas

A briga pelo mercado de canetas injetáveis para emagrecimento ganhou novos concorrentes de peso. A brasileira Hypera, a indiana Sun Pharma e a suíça Sandoz anunciaram, nesta quarta-feira, o lançamento de versões genéricas e similares dos medicamentos à base de liraglutida e semaglutida, os princípios ativos dos blockbusters Ozempic e Wegovy. A movimentação acirra a disputa por um segmento que, segundo a consultoria IQVIA, deve movimentar R$ 12 bilhões no Brasil até 2028.

Estratégia das farmacêuticas

A Hypera, maior farmacêutica do Brasil, aposta na produção nacional de sua caneta de liraglutida, batizada de Glutide. “Nosso objetivo é oferecer uma alternativa acessível e com a mesma qualidade dos medicamentos de referência”, disse o presidente da Hypera, João Adalberto Elek, em entrevista coletiva. A empresa investiu R$ 800 milhões em uma nova linha de produção em São Paulo, que terá capacidade para atender 20% da demanda nacional.

A Sun Pharma, por sua vez, chega com a caneta Lipro, fabricada na Índia e registrada no Brasil após estudos de bioequivalência. “Temos presença global e know-how em genéricos. Queremos democratizar o acesso ao tratamento da obesidade”, afirmou o diretor-geral da Sun no Brasil, Rajesh Gupta.

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Impacto no mercado

A Sandoz, divisão de genéricos da Novartis, trouxe a caneta Semaglut, já aprovada pela Anvisa. A empresa projeta capturar 15% do mercado em dois anos. “A competição é saudável e deve reduzir os preços em até 40%”, estima o analista de saúde da XP Investimentos, Pedro Costa.

Atualmente, o tratamento com Ozempic custa entre R$ 800 e R$ 1.200 por mês. Com as novas opções, o valor pode cair para a faixa de R$ 500, ampliando o acesso a uma população que, segundo a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), atinge 41 milhões de pessoas com excesso de peso no país.

Desafios e perspectivas

Apesar do entusiasmo, especialistas alertam para barreiras. A produção de canetas injetáveis exige tecnologia de ponta e controle rigoroso de qualidade. Além disso, a patente do Ozempic vence apenas em 2026, mas as empresas apostam em disputas judiciais para lançamentos antecipados. “A briga nos tribunais será tão acirrada quanto a das prateleiras”, comenta o advogado especialista em propriedade intelectual, Marcelo Guedes.

O mercado brasileiro de canetas para emagrecimento cresceu 300% em 2025, impulsionado pela popularidade dos tratamentos. Com a entrada dos genéricos, a expectativa é que o crescimento anual se mantenha em 25% nos próximos anos.

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