Dona da Havanna no Brasil pede recuperação extrajudicial para reequilibrar dívidas
Havanna Brasil pede recuperação extrajudicial para reequilibrar dívidas

A empresa responsável pela operação da marca argentina Havanna no Brasil entrou com pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo. O objetivo, segundo o documento obtido pelo Globo, é reequilibrar a situação financeira da companhia, que acumula dívidas com credores. O pedido foi protocolado na 1ª Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem da capital paulista.

Detalhes do pedido

O pedido de recuperação extrajudicial envolve um passivo que, de acordo com fontes ouvidas pelo Globo, supera R$ 100 milhões. A empresa, que opera cerca de 100 lojas da marca no país, busca um acordo com os credores para evitar a falência. A Havanna é conhecida por seus alfajores e produtos de chocolate, e sua operação brasileira é uma das maiores fora da Argentina.

No documento, a companhia alega que a pandemia de Covid-19 e a alta dos juros impactaram severamente suas finanças. A recuperação extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com os credores, sem a necessidade de um processo judicial completo, como na recuperação judicial. Esse mecanismo é visto como uma alternativa mais ágil e menos custosa para empresas em dificuldade.

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Impacto no mercado

A notícia gerou repercussão no setor de franquias, que já enfrenta desafios com a retração do consumo. Especialistas ouvidos pelo Globo destacam que a recuperação extrajudicial é um instrumento cada vez mais utilizado por empresas de médio porte para reestruturar dívidas sem interromper as operações. No caso da Havanna, a expectativa é que as lojas continuem funcionando normalmente durante o processo.

Procurada, a empresa não comentou o assunto até a publicação desta reportagem. O juiz responsável pelo caso ainda não decidiu sobre o pedido, que deve ser analisado nos próximos dias. Caso seja aceito, a empresa terá um prazo para apresentar o plano de recuperação aos credores, que terão a oportunidade de aprová-lo ou não.

Histórico recente

Esta não é a primeira vez que a operação brasileira da Havanna enfrenta dificuldades. Em 2020, a empresa já havia fechado algumas unidades e renegociado contratos de aluguel. No entanto, a recuperação extrajudicial é um passo mais drástico, que demonstra a gravidade da situação financeira. A marca, que chegou a ter mais de 150 lojas no Brasil na década de 2010, vem reduzindo sua presença no varejo físico, migrando para o e-commerce e pontos de venda em aeroportos e shoppings.

A recuperação extrajudicial não impede a empresa de buscar novas fontes de receita, mas impõe restrições para a venda de ativos e a distribuição de dividendos. A expectativa é que, com o plano de reestruturação, a empresa consiga reduzir seus custos fixos e alongar o prazo de pagamento das dívidas, dando fôlego para retomar o crescimento.

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