Ford e GM miram expansão no setor de defesa com novos contratos
Ford e GM miram expansão no setor de defesa

As montadoras Ford e General Motors (GM) estão intensificando seus planos de expansão no setor de defesa, apostando em contratos de fornecimento de veículos blindados, sistemas de propulsão e tecnologia de mobilidade para as Forças Armadas dos Estados Unidos e aliados. A movimentação ocorre em meio à redução das vendas de veículos comerciais e à busca por novas fontes de receita.

Ford aposta em veículos táticos e híbridos

A Ford, por meio de sua divisão Ford Defense, já apresentou propostas para o programa Joint Light Tactical Vehicle (JLTV) de próxima geração. A empresa planeja adaptar sua plataforma de caminhões F-Series para uso militar, incluindo versões híbridas-elétricas. "Temos capacidade de engenharia e produção para atender às demandas mais rigorosas do Pentágono", afirmou Jim Baumbick, vice-presidente de desenvolvimento de produtos da Ford, durante evento da indústria em Washington.

GM foca em veículos autônomos e blindados

A GM, por sua vez, está investindo em veículos autônomos para logística militar, além de expandir sua linha de blindados leves. A subsidiária GM Defense já fornece o veículo de patrulha Infantry Squad Vehicle (ISV) ao Exército dos EUA, com entregas previstas até 2027. "O setor de defesa representa uma oportunidade de crescimento de bilhões de dólares para a GM nos próximos cinco anos", disse Steve duMont, presidente da GM Defense, em teleconferência com investidores.

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Impacto no mercado e concorrência

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Defesa (ABDEF), o setor global de defesa movimentou cerca de R$ 70 bilhões em 2025, com projeção de crescimento anual de 4,5% até 2030. A entrada de montadoras tradicionais acirra a concorrência com empresas especializadas, como a Oshkosh Defense e a BAE Systems. "As montadoras trazem escala e inovação em eletrificação, algo que o setor de defesa está começando a valorizar", analisa Marcos Amaral, consultor de segurança e defesa.

Desafios regulatórios e de adaptação

No entanto, a transição para o segmento de defesa exige investimentos significativos em certificações e adaptação de linhas de produção. A Ford e a GM precisam cumprir padrões militares de segurança e durabilidade, além de lidar com ciclos de contrato longos e margens de lucro menores no curto prazo. "É um mercado de entrada difícil, mas com retornos estáveis e de longo prazo", observa Amaral.

Perspectivas futuras

Ambas as montadoras já estão em negociações com o Departamento de Defesa dos EUA e países da OTAN para novos contratos. A Ford prevê que a receita de defesa represente 5% de seu faturamento total até 2030, enquanto a GM espera alcançar 8% no mesmo período. A expansão também pode gerar empregos em fábricas nos Estados Unidos e no Brasil, onde a GM possui unidades em São Caetano do Sul e Gravataí.

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