Um dos principais gestores de crédito do mercado brasileiro está adotando uma postura cada vez mais defensiva. Em comunicado recente, o profissional responsável por uma das maiores carteiras de crédito do país informou que a liquidez da carteira foi elevada para 45%, o maior nível dos últimos três anos.
Estratégia de proteção
A decisão foi tomada diante de um cenário macroeconômico desafiador, com juros altos e incertezas fiscais. O gestor destacou que a relação risco-retorno no crédito privado não está atraente o suficiente para comprometer mais recursos no momento. A estratégia visa preservar capital e aguardar melhores oportunidades.
De acordo com dados internos do fundo, a liquidez média nos últimos cinco anos era de 28%. O salto para 45% reflete uma visão cautelosa para os próximos meses, especialmente em relação à solvência de empresas com maior alavancagem.
Impacto no mercado
A decisão do gestor, que administra mais de R$ 10 bilhões em ativos, é vista como um sinal de alerta para o mercado de crédito. Outros fundos também estão reduzindo exposição a ativos de risco. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a liquidez média dos fundos de crédito subiu para 35% em junho, ante 28% no início do ano.
Analistas do setor apontam que o movimento é generalizado. "Os gestores estão mais seletivos e preferem manter caixa para aproveitar oportunidades futuras", comentou um especialista. A recomendação para investidores é buscar fundos alinhados a esse perfil defensivo e dar preferência a títulos de alta qualidade creditícia.
Perspectivas futuras
O gestor indicou que pretende manter o alto nível de liquidez até que haja uma melhora significativa nas condições de mercado, especialmente no que diz respeito à estabilidade fiscal e à redução da taxa básica de juros. A expectativa é que, com a Selic em trajetória de queda, o cenário possa se tornar mais favorável ao crédito privado a partir do segundo semestre de 2025.



