A Vale informou ao mercado nesta quarta-feira (28) que o vice-presidente financeiro, José Gasparino, renunciou ao cargo. A saída ocorreu após o conselho de administração da mineradora pedir formalmente sua destituição, apurou a reportagem. Gasparino estava na empresa há 12 anos e era apontado como um dos executivos mais influentes na área financeira.
Divergências sobre riscos fiscais
De acordo com fontes próximas ao conselho, o pedido de afastamento foi motivado por divergências na gestão de riscos fiscais relacionados a operações da Vale no exterior. O conselho teria identificado que Gasparino não reportou adequadamente potenciais passivos tributários em ao menos três aquisições recentes.
Em nota, a Vale afirmou que “a renúncia foi aceita e que agradece pelos serviços prestados”. A empresa não detalhou os motivos, mas disse que “segue comprometida com as melhores práticas de governança”.
Impacto no mercado
As ações da Vale fecharam em queda de 1,2% no pregão de hoje, refletindo a incerteza sobre a sucessão. Analistas do Credit Suisse avaliaram que a saída de Gasparino pode gerar instabilidade temporária, mas a empresa possui executivos preparados para assumir.
O conselho já iniciou a busca por um novo vice-presidente financeiro, com perfil de maior alinhamento às políticas de compliance e transparência fiscal, segundo comunicado interno.
Governança em foco
A Vale tem reforçado sua estrutura de governança desde o desastre de Brumadinho, em 2019. A destituição de Gasparino é vista como mais um passo nesse processo, embora críticos apontem que a empresa ainda precisa avançar na diversificação do conselho.
A renúncia de Gasparino ocorre em meio a uma série de mudanças na alta cúpula da Vale. Em março, o CEO Eduardo Bartolomeo anunciou que deixará o cargo em 2024, após conclusão do plano de sucessão.



