Fundo da Gávea de Arminio tem pior ano desde 2008
Fundo da Gávea tem pior ano desde 2008

O principal fundo da Gávea Investimentos, gestora fundada pelo ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, teve em 2025 seu pior ano desde a crise financeira global de 2008. O fundo Gávea Hedging, que é o carro-chefe da casa, acumulou perda de 12,3% no ano passado, segundo apurou o blog Capital, do Globo. Esse resultado supera até mesmo as perdas registradas em 2008, quando o fundo caiu 10,2% no auge da turbulência internacional.

Desempenho abaixo do mercado

O desempenho negativo veio em um ano em que o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, apresentou alta de 15,4%. A diferença de quase 28 pontos percentuais entre o retorno do fundo e o do índice acendeu um alerta entre os cotistas e no mercado financeiro. O fundo Gávea Hedging, que historicamente busca retornos absolutos com baixa correlação com o mercado, não conseguiu escapar das perdas em um cenário de juros altos e volatilidade no exterior.

Especialistas apontam que a estratégia do fundo, que envolve posições em ações, câmbio e juros, foi prejudicada por uma série de fatores. Entre eles, a forte desvalorização do real frente ao dólar, que subiu 22% em 2025, e a alta da taxa Selic, que encerrou o ano em 12,75% ao ano. Esses movimentos impactaram diretamente as posições do fundo em moedas e renda fixa.

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Impacto nos cotistas e na gestora

Para os cotistas, o resultado negativo representa uma perda significativa, especialmente para aqueles que investem há mais tempo. Um investidor que aplicou R$ 1 milhão no início de 2025 teria terminado o ano com aproximadamente R$ 877 mil, uma redução de mais de R$ 122 mil. A Gávea Investimentos, que administra cerca de R$ 30 bilhões em ativos, viu sua reputação ser colocada à prova, já que o fundo é um dos mais tradicionais do mercado brasileiro.

Em comunicado aos cotistas, a gestora atribuiu o resultado a um "ambiente macroeconômico desafiador" e disse que está revisando sua estratégia para 2026. "Reconhecemos que o desempenho ficou aquém do esperado e estamos tomando medidas para mitigar riscos e buscar recuperação", afirmou a área de relações com investidores da Gávea, sem detalhar as mudanças.

Histórico de retornos

O Gávea Hedging foi lançado em 2003 e, desde então, acumula uma rentabilidade de 1.450%, o que representa uma média de 12,8% ao ano. No entanto, nos últimos cinco anos, o fundo teve desempenho irregular, com ganhos de 8,2% em 2021, perdas de 5,1% em 2022, alta de 6,7% em 2023 e ganho de 4,9% em 2024. O resultado de 2025 interrompe uma sequência de dois anos positivos e coloca pressão sobre a equipe de gestão liderada por Arminio Fraga.

Arminio Fraga, que presidiu o Banco Central entre 1999 e 2002, é considerado um dos investidores mais respeitados do país. Sua gestora, a Gávea Investimentos, foi fundada em 2003 e se tornou uma das maiores independentes do Brasil, com clientes institucionais e private banking. Apesar do mau momento, a maioria dos analistas acredita que a casa tem capacidade de recuperação, dado seu histórico e a experiência de sua equipe.

Perspectivas para 2026

Para 2026, o mercado espera um cenário ainda incerto, com eleições presidenciais no Brasil e possível mudança na política econômica. A Gávea, em seu relatório anual, indicou que pretende reduzir a exposição a ativos de risco e aumentar a proteção do portfólio. "Estamos otimistas com as oportunidades que surgirão, mas prudentes em relação aos riscos", disse um trecho do relatório, assinado pela equipe de gestão.

O resultado do fundo também reacendeu o debate sobre a eficácia dos fundos multimercado no Brasil, que vêm enfrentando dificuldades desde 2020. Segundo dados da Anbima, a indústria de fundos multimercado encolheu 8% em 2025, com saídas líquidas de R$ 45 bilhões. A Gávea, no entanto, não informou se houve resgates significativos no fundo.

Reações do mercado

O mau desempenho do Gávea Hedging foi amplamente comentado nas redes sociais e em fóruns de investidores. Muitos cotistas manifestaram insatisfação, enquanto outros defenderam a gestora, lembrando que o fundo já passou por períodos difíceis e se recuperou. "A Gávea tem um time competente, mas 2025 foi atípico. Vamos aguardar os próximos meses", comentou um investidor em um grupo de discussão.

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A gestora, por sua vez, já começou a se movimentar para reverter o quadro. Em janeiro, anunciou a contratação de dois novos analistas para a área de macroeconomia e reforçou sua equipe de risco. Além disso, Arminio Fraga, que costuma ter participação ativa na gestão, tem se dedicado mais ao dia a dia do fundo, segundo fontes próximas.

Conclusão

O ano de 2025 ficará marcado como um dos mais difíceis para a Gávea Investimentos desde sua fundação. O fundo Hedging, que é referência no mercado, precisará mostrar resiliência para reconquistar a confiança dos investidores. Com um cenário econômico ainda incerto, a tarefa não será fácil, mas a história da gestora sugere que ela está preparada para o desafio.