A editora FTD, uma das maiores do Brasil no segmento educacional, anunciou nesta terça-feira um plano de investimento de R$ 100 milhões por ano para criar uma inteligência artificial pedagógica própria. A iniciativa visa reduzir a dependência de grandes empresas de tecnologia, como Google, Microsoft e Amazon, no desenvolvimento de ferramentas educacionais baseadas em IA.
Parceria com universidades
O projeto será desenvolvido em parceria com universidades brasileiras, incluindo a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A FTD pretende criar uma plataforma de aprendizado personalizado que utilize IA para adaptar conteúdos ao ritmo e estilo de cada aluno, sem compartilhar dados com terceiros.
"Queremos construir uma inteligência artificial soberana, ética e alinhada com a realidade educacional brasileira, sem depender de gigantes estrangeiras que não têm compromisso com nossa legislação de dados", afirmou o presidente da FTD, João Carlos de Oliveira, em coletiva de imprensa.
Investimento e prazo
O aporte anual de R$ 100 milhões representa cerca de 15% do faturamento da editora. O plano prevê a contratação de 300 pesquisadores e engenheiros de software nos próximos cinco anos, além da criação de um laboratório de inovação em São Paulo. A estimativa é que a primeira versão da IA pedagógica esteja disponível para testes em escolas parceiras já em 2027.
De acordo com a FTD, a iniciativa gerará mais de 500 empregos diretos e indiretos. A empresa também planeja oferecer cursos de capacitação para professores sobre o uso da nova tecnologia.
Contexto do mercado
A decisão da FTD ocorre em meio a um movimento global de instituições educacionais buscando alternativas às plataformas de big techs, que frequentemente são criticadas por coleta excessiva de dados e falta de transparência. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) impõe restrições rigorosas ao uso de informações de alunos, o que torna a aposta em tecnologia própria estratégica.
Especialistas apontam que o investimento da FTD pode inspirar outras empresas do setor a seguir o mesmo caminho. "O Brasil tem capacidade técnica e acadêmica para desenvolver soluções de IA competitivas. O diferencial será a confiança e a adequação à realidade local", disse o professor Ricardo Torres, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP.
Impacto esperado
A FTD estima que a IA pedagógica própria poderá atingir 2 milhões de alunos em todo o Brasil até 2030, considerando as redes pública e privada. A empresa já negocia parcerias com secretarias estaduais de educação para implementação piloto em escolas do Nordeste e Sudeste.
"Nosso objetivo é democratizar o acesso a uma educação personalizada, sem entregar os dados dos nossos estudantes a empresas que não seguem as mesmas regras que nós", concluiu Oliveira.



