O número de pedidos de falência no Brasil cresceu 18% em 2025 na comparação com o ano anterior, de acordo com dados da Serasa Experian divulgados nesta quinta-feira. Foram registrados 1.432 pedidos de falência no ano passado, contra 1.213 em 2024. O aumento reflete o cenário econômico adverso, com juros altos e endividamento das empresas.
Setores mais afetados
O setor de serviços liderou os pedidos, com 38% do total, seguido pelo comércio (34%) e indústria (22%). A construção civil também apresentou alta significativa, com crescimento de 25% nos pedidos em relação a 2024. Segundo a Serasa, as micro e pequenas empresas foram as mais impactadas, representando 78% dos requerimentos.
“O aumento das taxas de juros e a inflação pressionaram o fluxo de caixa das empresas, especialmente as de menor porte, que têm menos acesso a crédito”, afirmou o economista da Serasa, Luiz Rabi. Ele destacou que a recuperação judicial também cresceu, com 1.012 pedidos em 2025, alta de 12% ante o ano anterior.
Regiões com maior concentração
O estado de São Paulo concentrou 32% dos pedidos de falência, seguido por Rio de Janeiro (14%) e Minas Gerais (11%). No Sul, o Paraná registrou aumento de 20% nos pedidos, enquanto o Rio Grande do Sul teve alta de 15%. A região Nordeste também apresentou crescimento, com destaque para a Bahia (18% dos pedidos na região).
Para Rabi, a tendência é de que os pedidos de falência continuem elevados em 2026, caso o cenário macroeconômico não melhore. “A manutenção da Selic em patamares elevados e a desaceleração da economia devem manter as empresas sob pressão”, completou.
Recuperação judicial como alternativa
A recuperação judicial tem sido a principal alternativa para empresas em dificuldades, mas o número de pedidos também cresceu. Em 2025, foram 1.012 pedidos, ante 903 em 2024. O setor de serviços respondeu por 40% dos pedidos de recuperação, seguido por comércio (30%) e indústria (20%).
A Serasa destacou que o tempo médio para conclusão dos processos de falência aumentou para 4,5 anos, o que agrava a situação dos credores. “A morosidade da Justiça é um dos principais gargalos para a recuperação de créditos”, disse Rabi.



