Ex-diretor detalha modelo multi-clubes e crise no Botafogo
Ex-diretor detalha modelo multi-clubes e crise no Botafogo

A venda da SAF do Botafogo para o grupo GDA travou na última semana. Em uma tentativa de viabilizar a entrada do novo investidor, o associativo, por meio do presidente João Paulo Magalhães Lins, acionou um mecanismo previsto na estrutura societária que dilui a participação da Eagle e devolve ao clube o controle acionário da SAF.

Documento aponta inadimplência da Eagle

O documento foi enviado no dia 7 de julho para a Cork Gully e para a Eagle com o objetivo de comunicar uma inadimplência da Eagle. Segundo o associativo, a empresa descumpriu a obrigação de aportar R$ 100 milhões, visto que a quantia entrou e saiu praticamente no mesmo dia. O argumento é que houve uma "simulação de aporte".

"Ao total, a Eagle 'aportou' o valor de EUR 21.199.930,00 e USD 130.000,00 na SAF Botafogo, mas, imediatamente, o valor de EUR 21.200.000,00 foi transferido de volta ao Lyon, a título de mútuo (...). Isto é, jamais houve cumprimento da obrigação de aporte, mas, apenas, uma sucessão de atos simulados, fraudulentos e prejudiciais à SAF Botafogo, que jamais teve à sua disposição os valores para efetivo investimento" - diz um trecho do documento.

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Bônus de Subscrição e mudança no controle

Além disso, o documento aponta que as acusações citadas pelo Botafogo tornam possível que o associativo exerça um direito previsto no Acordo de Acionistas chamado Bônus de Subscrição (Subscription Warrant) e que essa ação teria efeito imediato. Desta forma, a Eagle passaria a ter 49% das ações, enquanto o associativo se tornaria majoritário, com 51%. A informação foi inicialmente publicada pelo UOL e confirmada pela reportagem do ge.

Procurado pela reportagem do ge, o presidente JP Magalhães Lins confirmou a medida tomada pelo associativo. Ele afirmou: "O dinheiro que o Botafogo deu ao Lyon não vai virar pó. Eu jamais vou permitir isso".

Impasse com a GDA e dívida do Lyon

Há algumas semanas, os representantes da GDA e da Cork Gully (Stephen Cork e Anthony Cork), empresa britânica de reestruturação financeira apontada como a administradora da Eagle Bidco, viviam os trâmites finais para a transferência das ações. O ge apurou que, no dia da assinatura do contrato, a Cork Gully pediu que o Botafogo ignorasse a dívida de 24 milhões de euros do Lyon. Segundo pessoas envolvidas na negociação, esse valor é resultado de um "encontro de contas" feito em todas as transferências entre Lyon e Botafogo.

Apesar do grande volume de transferências, o crédito do clube carioca é de 24 milhões de euros. Pessoas envolvidas na negociação afirmam que a Cork Gully "mudou de ideia" em relação ao acordo inicial sobre essa cobrança dos valores dos franceses. E, a partir disso, não foi possível assinar o contrato da transferência das ações para a GDA. Além disso, houve o impasse sobre pagamento dos honorários dos advogados envolvidos no caso.

Novo cenário e próximos passos

Com a medida tomada pelo associativo, o cenário do modelo de transferência das ações muda. O Botafogo social, que hoje tem 51%, passará 41% das ações para a GDA, permanecendo com 10%. Enquanto a Eagle Bidco irá transferir os 49% para a GDA. Com o Bônus de Subscrição acionado, há também o Direito de Drag Along do Clube. Dessa forma, o acionista majoritário força os minoritários a venderem suas ações para determinado comprador. No caso, o Botafogo associativo vai transferir para a GDA e obrigará a Eagle a fazer o mesmo.

A venda das ações ocorrerá com um valor simbólico, visto que o dono da SAF Botafogo vai assumir a dívida que está estimada em quase R$ 3 bilhões. A previsão é que a conclusão da venda se arraste pelas próximas semanas, e o próximo aporte acontecerá quando as ações já forem da GDA. O valor previsto é de 30 milhões de dólares.

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