Equipe econômica busca alternativas para aporte nos Correios
Equipe econômica busca aporte nos Correios

O Ministério da Economia intensificou, nas últimas semanas, as discussões sobre possíveis fontes de recursos para um aporte de capital nos Correios. A estatal, que acumula prejuízos consecutivos, precisa de uma injeção financeira estimada em pelo menos R$ 5 bilhões para reverter a situação e financiar um plano de modernização.

Planos de capitalização

De acordo com técnicos da pasta, a equipe econômica avalia ao menos três alternativas principais. A primeira seria a utilização de dividendos de outras estatais, como a Petrobras e o Banco do Brasil, para compor o aporte. A segunda envolve a venda de ativos imobiliários da própria empresa, como terrenos e galpões obsoletos. A terceira, mais complexa, seria uma operação de capitalização por meio de emissão de novas ações, com a possibilidade de entrada de um sócio privado minoritário.

“Todas as opções estão na mesa, mas a decisão final caberá ao presidente da República e ao ministro da Economia”, afirmou uma fonte do Ministério da Economia que acompanha as negociações. Segundo ela, o objetivo é evitar que o Tesouro Nacional precise desembolsar recursos diretamente, o que impactaria o resultado fiscal.

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Alternativas estudadas

A venda de imóveis dos Correios tem sido vista como a alternativa mais viável a curto prazo. A estatal possui um vasto patrimônio imobiliário, boa parte subutilizado. Nos últimos meses, a empresa já levantou cerca de R$ 800 milhões com a alienação de alguns imóveis, mas o montante é insuficiente para cobrir as necessidades de investimento.

Outra frente de trabalho envolve a renegociação de dívidas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os Correios devem cerca de R$ 1,2 bilhão ao banco, e há conversas para alongar prazos e reduzir juros, liberando caixa para investimentos.

O presidente dos Correios, em reunião recente com o secretário especial de Desestatização, destacou a urgência do aporte. “Sem recursos, a empresa não conseguirá competir no mercado de encomendas e correio híbrido, que cresce a dois dígitos ao ano”, alertou o executivo, que pediu anonimato para tratar de assunto interno.

Impacto fiscal

A equipe econômica, no entanto, enfrenta restrições orçamentárias. O teto de gastos limita a capacidade de o governo realizar aportes diretos em estatais dependentes. Os Correios se enquadram nessa categoria, pois recebem recursos do Tesouro para cobrir déficits operacionais.

Por isso, a preferência é por soluções que não envolvam despesas primárias. Uma das ideias é transformar parte da dívida dos Correios com o governo em participação acionária, o que não afetaria o resultado primário. A medida, porém, exigiria aprovação do Congresso Nacional, o que pode atrasar o processo.

Analistas do mercado financeiro avaliam que a situação dos Correios é crítica. “A empresa precisa urgentemente de um plano de reestruturação, e o aporte é só o primeiro passo. Se não houver mudanças na gestão e na estrutura de custos, o dinheiro será apenas um paliativo”, comentou um analista do setor de logística.

O Ministério da Economia deve apresentar um relatório completo com as opções de capitalização até o fim de agosto, quando o tema será levado ao presidente da República. A expectativa é que uma decisão seja anunciada ainda no terceiro trimestre deste ano.

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