Empresas profissionalizam aluguéis no Airbnb em São Paulo
Empresas viram anfitriãs no Airbnb em SP

Empresas em São Paulo estão assumindo o papel de anfitriões do Airbnb, gerenciando múltiplos imóveis para otimizar ocupações e rentabilidade. Dados da plataforma Inside Airbnb indicam que 72,9% dos anúncios na capital paulista são controlados por perfis com mais de uma hospedagem, evidenciando a profissionalização do setor. O Airbnb, no entanto, contesta a precisão desses números, afirmando que a maioria dos anfitriões no Brasil são indivíduos.

Como funciona a gestão profissional de imóveis

Empresas como Tabas e Meu Anfitrião lideram esse mercado, oferecendo serviços de administração completa de propriedades para locação por temporada. Elas cuidam de desde a criação do anúncio, precificação dinâmica, limpeza, check-in e suporte ao hóspede. Com isso, conseguem taxas de ocupação mais altas do que anfitriões individuais, que muitas vezes não têm tempo ou expertise para gerenciar múltiplas reservas.

O CEO da Meu Anfitrião, Otavio Mustafa, administra centenas de anúncios na plataforma. A empresa utiliza algoritmos para ajustar preços em tempo real com base na demanda, eventos locais e sazonalidade. Esse modelo permite que proprietários de imóveis obtenham maior retorno sem precisar se envolver na operação diária.

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Impacto no mercado imobiliário e turístico

A profissionalização dos aluguéis por temporada tem gerado debates sobre o impacto no mercado imobiliário de São Paulo. Críticos apontam que a concentração de imóveis nas mãos de empresas reduz a oferta de moradias para aluguel tradicional, contribuindo para o aumento dos preços. Por outro lado, defensores argumentam que a prática atrai turistas e movimenta a economia local.

Dados da Inside Airbnb mostram que os anfitriões com múltiplos imóveis representam uma parcela significativa das reservas na cidade. Isso levanta questões sobre regulação, já que muitos desses empreendimentos operam em zonas residenciais, sem alvará específico para atividade hoteleira.

Desafios logísticos e regulatórios

Gerenciar dezenas ou até centenas de imóveis espalhados por diferentes bairros de São Paulo exige uma logística complexa. As empresas precisam coordenar equipes de limpeza, manutenção e suporte, além de lidar com reclamações de vizinhos sobre barulho e rotatividade de hóspedes. Para garantir a qualidade, algumas investem em tecnologia, como fechaduras inteligentes e sistemas de automação.

No campo regulatório, a prefeitura de São Paulo tem discutido normas para aluguéis de curta duração, mas ainda não há uma legislação específica. Enquanto isso, o Airbnb defende que a maioria dos anfitriões são pessoas físicas que complementam a renda, e que a profissionalização é uma tendência global que precisa ser acompanhada de regras claras.

Resposta do Airbnb e perspectivas futuras

O Airbnb contesta a metodologia do Inside Airbnb, que coleta dados públicos do site, mas pode não refletir a realidade completa. Em nota, a plataforma afirma que “a grande maioria dos anfitriões no Brasil são indivíduos que compartilham suas casas para ganhar uma renda extra”. No entanto, admitem que o número de anfitriões profissionais tem crescido.

Para o futuro, espera-se que a profissionalização se intensifique, com novas empresas entrando no mercado e a tecnologia tornando a gestão ainda mais eficiente. Contudo, a indefinição regulatória e a pressão de movimentos por moradia popular podem frear esse avanço. O equilíbrio entre inovação e proteção ao direito à moradia será um dos principais desafios para São Paulo nos próximos anos.

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