A jornada do ponto A ao ponto B: como avançar sem pular etapas
Do ponto A ao B: a chave para não queimar etapas

Todo empreendedor, em algum momento, enfrenta o dilema de como sair do ponto A e chegar ao ponto B. Investidores frequentemente questionam essa capacidade de transição, mas raramente definem o que significam esses pontos. O autor da coluna, após anos de experiência, desenvolveu uma lógica para tornar essa visão mais clara.

A matemática da escassez

O ponto A é o modelo de negócio que permite gerar receita desde o primeiro dia, utilizando o mínimo possível de recursos externos — seja dinheiro, infraestrutura ou conhecimento de terceiros. Já o ponto B deve ser o primeiro marco factível, alcançável exatamente com esses recursos escassos, sem depender de fatores externos.

Para ilustrar, imagine que o ponto de partida seja o Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e o único recurso disponível seja um patinete elétrico. O destino lógico seria o Parque Villa-Lobos, na Zona Oeste, e não a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Embora não seja fisicamente impossível, poucas pessoas conseguiriam completar a jornada de patinete até Copacabana.

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De patinete até Copacabana?

A falta de entendimento dos próprios recursos leva muitos empreendedores a tentar alcançar metas irreais com meios insuficientes. Quando a energia acaba, passam a condicionar o próximo passo a fatores externos, como um investimento de venture capital ou um grande cliente. Essa é a armadilha que, segundo o artigo, empurra 90% das startups para a mortalidade precoce.

Por outro lado, quem conhece suas limitações consegue sobreviver e crescer, muitas vezes no modelo bootstrap, financiando o crescimento com receitas próprias.

O 'Ponto C' de Casar.com

O caso do Casar.com exemplifica essa dinâmica. O ponto A começou há mais de 20 anos, quando um grupo já familiarizado com o universo de casamentos usou seus contatos para criar um encontro presencial de networking. Sem tentar construir um império tecnológico de imediato, geraram valor real para o ecossistema.

Com a comunidade engajada, o ponto B foi a consolidação do evento como o principal do setor. A edição de maio de 2026 reuniu mais de 4 mil pessoas na Avenida Paulista, conectando marcas, fornecedores e casais.

A partir da autoridade conquistada, a empresa partiu para o ponto C: a digitalização. Em 2014, começou a oferecer soluções online para a jornada dos noivos, como criação de convites, lista de presentes virtuais e escolha de fornecedores. Em 2025, a plataforma apoiou a comunicação de mais de 300 mil casais com sites personalizados. Na última década, acumulou mais de 3,5 milhões de usuários e 100 milhões de acessos.

Hoje, o Casar.com lidera um setor que, segundo a ABRAFESTA, deve movimentar cerca de R$ 32 bilhões no Brasil em 2026, com estimativa de 472 mil cerimônias. Esse crescimento sustentável é resultado de avançar passo a passo, sem pular etapas.

Lições para uma escala sustentável

Entender os pontos A e B não significa limitar a ambição, mas sim garantir recursos e foco para alcançar todo o alfabeto. Quem tenta pular etapas na pressa de abraçar o mundo geralmente só chega até a esquina. O conselho é extrair o máximo de cada recurso disponível antes de trocá-lo por algo maior — do patinete para o carro, e só depois para o avião. A regra é simples: para voar longe, primeiro é preciso aprender a se equilibrar.

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