A produção na fábrica da Midea, em Pouso Alegre (MG), foi retomada após uma paralisação provocada por protestos de trabalhadores, motivados por uma denúncia de agressão física contra um funcionário. Apesar do retorno das atividades, o clima ainda é de tensão, com ameaças de greve e denúncias de assédio moral e sexual.
Sindicato oficializa estado de greve
O Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre informou que deve oficializar ainda nesta quarta-feira (24) o estado de greve. A medida, segundo a entidade, já havia sido sinalizada no dia anterior e agora será formalizada diante da falta de garantias aos trabalhadores. Entre as denúncias, estão casos de assédio moral e sexual, além de pressão excessiva no ambiente de trabalho, considerada abusiva pelo sindicato.
Episódio mais grave: agressão com borracha de vedação
O episódio mais grave citado é o de um funcionário do setor de qualidade que teria sido agredido com uma borracha de vedação utilizada na fabricação de geladeiras. A empresa informou, em nota, que afastou o gestor envolvido e afirmou que não compactua com qualquer tipo de violência. Uma reunião com o Ministério Público está prevista.
Mediação do Ministério do Trabalho
O Ministério do Trabalho convocou uma reunião de urgência, em Belo Horizonte, para tentar mediar o conflito. Segundo relatos iniciais, a situação dentro da fábrica apresenta momentânea calmaria, apesar da instabilidade. O presidente do sindicato, Francisco Pereira, afirmou que a categoria cobra medidas imediatas para garantir a segurança dos funcionários, incluindo estabilidade ao trabalhador agredido e suporte psicológico aos envolvidos.
"A gente vai estar pedindo estabilidade hoje no Ministério do Trabalho para ele, vamos estar pedindo acompanhamento psicológico com ele também e os demais trabalhadores envolvidos em volta deles, porque não tem como você trabalhar em um ambiente insalubre, onde você tenha aquela incerteza de que pode ser acontecido, se vai ser a próxima vítima também, conforme acontecer um trabalhador agredido", disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre, Francisco Pereira.
Próximos passos
Além da reunião no Ministério do Trabalho, uma nova rodada de negociação entre sindicato e empresa está marcada para quinta-feira (25). Caso não haja avanço nas tratativas, os trabalhadores poderão entrar em greve após o prazo legal de 72 horas.
Posição da Midea
Em nota, a Midea informou que está ciente das denúncias e que adotou medidas internas para apuração do caso. "A Midea Indústria do Brasil informa que está ciente das denúncias veiculadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre Região, tendo adotado a data do evento às medidas previstas em nossos protocolos internos, afastando preventivamente o envolvido enquanto os fatos são apurados com seriedade e imparcialidade. Reforçamos que não compactuamos com quaisquer formas de violência, assédio ou conduta incompatível com nossos valores, código de conduta e políticas internas", disse a empresa.



