O uso de cupons de desconto e programas de cashback cresceu 35% no primeiro semestre de 2026, impulsionando o faturamento do e-commerce brasileiro a R$ 85 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). A tendência reflete a busca dos consumidores por economia e ofertas personalizadas.
Crescimento do e-commerce e novas estratégias
O faturamento do e-commerce no Brasil atingiu R$ 85 bilhões nos primeiros seis meses de 2026, um aumento de 22% em relação ao mesmo período de 2025. De acordo com a ABComm, a adoção de cupons e cashback foi o principal motor desse crescimento, com 68% dos consumidores afirmando que só finalizam a compra se encontrarem um código de desconto ou oferta de reembolso.
“O consumidor está mais inteligente e exigente. Ele pesquisa, compara e só compra quando sente que está fazendo um bom negócio”, afirma Marcos Gouvêa, diretor da ABComm. “Cupons e cashback deixaram de ser meros atrativos e se tornaram parte essencial da estratégia de vendas.”
Perfil do consumidor e preferências
Dados da plataforma Cuponomia indicam que os segmentos que mais utilizam cupons são moda e acessórios (28%), eletrônicos (22%) e beleza e cuidados pessoais (18%). O valor médio do desconto obtido é de 15%, enquanto o cashback médio gira em torno de 8% do valor da compra. A preferência por cashback é maior entre consumidores de 25 a 40 anos, que representam 55% dos usuários ativos desses programas.
“O cashback tem um apelo especial porque o consumidor sente que está recebendo de volta parte do dinheiro gasto, o que gera uma sensação de recompensa”, explica Ana Paula Ribeiro, especialista em varejo digital. “Isso fideliza o cliente e aumenta a recorrência de compras.”
Impacto no varejo e projeções
As grandes varejistas, como Magazine Luiza e Americanas, relataram que as vendas via cupons e cashback representam 30% do faturamento online no primeiro semestre. Para o segundo semestre, a expectativa é que esse percentual suba para 35%, impulsionado pela Black Friday e Natal. A ABComm projeta que o e-commerce brasileiro feche 2026 com faturamento de R$ 200 bilhões, um recorde histórico.
“A tendência é que cada vez mais lojas adotem esses mecanismos, não apenas para atrair clientes, mas para competir em um mercado cada vez mais acirrado”, diz Gouvêa. “Quem não oferecer cupons ou cashback pode ficar para trás.”
Desafios e regulação
Com o aumento do uso, crescem também os desafios, como fraudes e expiração de cupons sem aviso. O Procon-SP registrou alta de 40% nas reclamações relacionadas a cupons e cashback no primeiro semestre. Em resposta, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) estuda novas regras para garantir transparência nas ofertas.
“É fundamental que as empresas sejam claras sobre as condições de uso e validade dos cupons e cashback”, alerta Juliana Domingues, coordenadora do Procon-SP. “O consumidor precisa saber exatamente o que está contratando.”



