CSN Cimentos: proposta vinculante até 7/ago; Votorantim com Cementir e Huaxin na disputa
CSN Cimentos: proposta vinculante até 7 de agosto

O processo de venda da operação de cimentos da CSN entra em nova fase no fim da próxima semana, com o dia 7 de agosto marcado como data limite para que os interessados apresentem propostas vinculantes. De um lado, a Votorantim Cimentos agora conta com a italiana Cementir Holding como aliada. Do outro, a chinesa Huaxin realizou até aqui uma das diligências mais detalhadas sobre as 13 plantas industriais da CSN Cimentos.

Votorantim e Cementir: uma aliança estratégica

A entrada da Cementir fortalece a tentativa de compra da Votorantim. Segundo fontes que acompanham o processo, executivos da italiana visitaram as fábricas de cimento da CSN em um avião do grupo Votorantim. A Cementir detém 25% do mercado global de cimento branco e também produz outros materiais de construção. Com a parceria, a cimenteira dos Ermírio de Moraes busca reduzir potenciais obstáculos no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Em uma proposta em consórcio, a Votorantim concentraria menos ativos em um setor no qual já é líder, com cerca de 35% do mercado nacional. Já a Cementir, presente em 18 países, marcaria sua entrada no setor cimenteiro brasileiro, ampliando sua presença internacional.

Huaxin: due diligence minuciosa e estratégia global

Já a chinesa Huaxin é vista por fontes próximas à CSN como a candidata com potencial para oferecer o melhor valor. Se no início do processo ela dividia os holofotes com a Sinoma International e outra gigante chinesa, agora desponta como a empresa que deve evoluir para uma proposta mais firme. Durante a fase de obtenção de detalhes sobre o ativo, a Huaxin teria sido, de longe, a mais detalhista, inclusive com a contratação de empresas especializadas para estudos mais aprofundados. Em dezembro de 2024, a Huaxin adquiriu a Embu S.A., uma das maiores produtoras de pedra britada do Brasil, por R$ 1 bilhão, evidenciando sua estratégia no fornecimento de concreto para grandes obras. Além disso, a companhia, que já produz 40 milhões de toneladas de cimento fora da China, segue uma estratégia de internacionalização impulsionada pelo baixo preço do cimento no mercado chinês.

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Polimix e outros interessados

A Polimix, maior concreteira do País e dona da Mizu Cimentos, que também estava entre as interessadas que partiram para a diligência, chega com menos força nessa fase final, de acordo com as fontes. A avaliação é de que seria necessária alguma aliança com concorrentes mais fortes para avançar no processo. Segundo as fontes, a empresa teria se aproximado da Huaxin para uma possível parceria, mas até o momento não há confirmação de um acordo.

Exigências do vendedor: preço e rapidez no Cade

Para a CSN, o comprador ideal não apenas ofereceria um preço competitivo, mas também dependeria de um curto período de análise pelo Cade. O endividamento líquido da empresa ao final do primeiro semestre superava a casa de R$ 40 bilhões. O controlador da CSN prometeu abater entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões para ganhar conforto financeiro. No caso da divisão de cimentos, a expectativa é receber uma oferta de até R$ 16 bilhões, somando equity e dívida.

Planta de Volta Redonda: ponto crucial

Um elemento importante nos próximos passos da negociação está na planta de Volta Redonda, que utiliza a escória da usina de aço da CSN no processo de moagem do cimento. Um contrato futuro, na visão de uma das fontes ouvidas, deve envolver a cobrança de preço de mercado por esse insumo e a transferência de contratos que a CSN tem com Gerdau e ArcelorMittal. Esse fator pode influenciar tanto o valor final da oferta quanto a estrutura do negócio.

Procuradas, a CSN, a Votorantim e a Huaxin não comentaram até a publicação desta reportagem. Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 27 de julho de 2026, às 15h35.

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