Credores e bondholders da Raízen, uma das maiores empresas de energia do Brasil, indicaram executivos com experiência em processos de recuperação judicial de gigantes como Oi e Americanas para atuar na reestruturação financeira da companhia. A informação foi divulgada pelo blog de Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Executivos experientes em crises corporativas
De acordo com fontes próximas às negociações, os credores sugeriram profissionais que participaram ativamente das reestruturações da Oi, que passou por um dos maiores processos de recuperação judicial do país, e da Americanas, que enfrenta uma crise bilionária desde 2023. A escolha visa trazer know-how em situações de alta complexidade financeira.
A Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, enfrenta desafios de endividamento e busca reorganizar suas finanças. A dívida líquida da empresa era de aproximadamente R$ 35 bilhões no último balanço, segundo dados de mercado.
Negociações em andamento
As conversas entre a companhia e seus credores estão em estágio avançado, mas ainda não há um acordo definitivo. Os bondholders, detentores de títulos de dívida, têm pressionado por uma reestruturação que evite um pedido de recuperação judicial. "Estamos confiantes de que uma solução consensual será alcançada", afirmou um representante dos credores, que preferiu não se identificar.
A Raízen, por meio de sua assessoria de imprensa, não comentou oficialmente as indicações. Procurada, a empresa limitou-se a dizer que "mantém diálogo aberto com todos os stakeholders".
Impacto no mercado
Analistas do setor avaliam que a participação de executivos com histórico em reestruturações de grande porte pode acelerar o processo e trazer mais credibilidade às negociações. A Oi, por exemplo, concluiu sua recuperação judicial em 2022, após anos de negociações. Já a Americanas ainda está em meio ao processo, com dívidas que ultrapassam R$ 40 bilhões.
A expectativa é que um plano de reestruturação seja apresentado nos próximos meses, envolvendo alongamento de prazos e possíveis desinvestimentos. A Raízen já anunciou a venda de ativos não estratégicos, como parte de seu plano de redução de alavancagem.



