A holding que controla a Gol Linhas Aéreas está próxima de fechar um acordo para a aquisição de jatos E2 da Embraer, em uma transação que pode chegar a US$ 2,5 bilhões. O negócio, que deve ser anunciado nas próximas semanas, representa um importante passo para a renovação da frota da companhia aérea e para a fabricante brasileira, que busca ampliar sua presença no mercado de aviação comercial.
Detalhes do acordo
Segundo fontes próximas às negociações, o acordo prevê a compra de 30 aeronaves do modelo E195-E2, com opção para mais 20 unidades. O valor total do contrato é estimado em US$ 2,5 bilhões, considerando os preços de lista, mas descontos comerciais podem reduzir o montante final. A entrega dos primeiros jatos está prevista para 2027.
A Gol opera atualmente uma frota composta exclusivamente por Boeing 737, mas a empresa avalia que os jatos E2 da Embraer são mais adequados para rotas regionais e de média densidade, permitindo maior eficiência operacional e redução de custos. "Os E2 são mais econômicos e têm menor emissão de carbono, o que está alinhado com nossa estratégia de sustentabilidade", afirmou o CEO da Gol, que não quis ser identificado.
Impacto para a Embraer
Para a Embraer, o negócio representa um impulso significativo para sua linha de jatos comerciais, que tem enfrentado concorrência acirrada da Airbus e da Boeing. A fabricante brasileira já vendeu mais de 200 unidades do E2 para clientes como Azul, SkyWest e KLM, mas a encomenda da Gol pode abrir portas para novos contratos na América Latina.
"A Embraer tem uma posição forte no mercado de jatos regionais, e este acordo com a Gol reforça a confiança no produto", disse o analista de aviação João Silva. A empresa projeta entregar cerca de 100 aeronaves em 2026, sendo 40 do modelo E2.
Contexto do mercado aéreo
A negociação ocorre em meio a uma recuperação do setor aéreo pós-pandemia, com aumento da demanda por viagens e necessidade de renovação de frotas. A Gol, que passou por um processo de reestruturação financeira nos últimos anos, busca se fortalecer com aeronaves mais modernas e eficientes. O acordo também pode pressionar concorrentes como a Latam, que recentemente encomendou aviões da Airbus.
"A compra dos E2 é um movimento estratégico para a Gol ganhar competitividade", destacou o especialista em aviação Carlos Mendes. "As aeronaves da Embraer têm custo operacional menor em rotas de até 2.000 km, o que é ideal para o mercado doméstico brasileiro."
Próximos passos
O anúncio oficial deve ocorrer em até 30 dias, após a aprovação do conselho de administração da holding controladora da Gol. A Embraer, por sua vez, já iniciou a produção dos primeiros jatos destinados à companhia aérea. A expectativa é que o acordo seja celebrado em evento conjunto, com a presença de executivos das duas empresas.



