De R$ 700 a R$ 24 mil: chips de banana caseiros viram negócio de sucesso
Chips de banana caseiros: de R$ 700 a R$ 24 mil mensais

Vanuza Ferreira de Araújo aprendeu na infância, no Vale da Ribeira (SP), uma receita caseira de chips de banana que, décadas depois, viraria a base de um negócio próspero. Em menos de três anos, o faturamento mensal saltou de R$ 700 para R$ 24 mil – um crescimento de 35 vezes. O potencial do produto ficou evidente na Feira do Negócio Local da Viacredi, em Jaraguá do Sul (SC), em maio, onde todo o estoque se esgotou em duas horas.

Das origens à primeira venda

Criada no interior paulista, Vanuza estava acostumada a comer chips de banana e inhame desde pequena. Em 2018, ao se mudar para Santa Catarina, começou a levar os snacks como lanche para a empresa têxtil onde trabalhava. A boa receptividade dos colegas a incentivou a vender. O que começou como renda complementar rapidamente se tornou a principal atividade da família.

Em 2020, Vanuza deixou o emprego para cuidar do filho com deficiência. A pandemia interrompeu o negócio em crescimento, forçando o fechamento das operações e o retorno da família a São Paulo. Lá, trabalhou em empresas da região e tentou retomar o negócio em sociedade, sem sucesso. “Os sócios buscavam apenas aprender a receita para depois se desligarem”, lembra.

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Recomeço na cozinha de apartamento

Há três anos, Vanuza precisou deixar novamente um emprego com carteira assinada para cuidar do filho. Foi então que retomou a venda dos chips, primeiro para conhecidos. “Eu estava cheia de dívidas, não tinha dinheiro para comprar ingredientes e vendia pouco. Até que recebi uma encomenda de quase R$ 2 mil. Os pedidos foram aumentando e eu produzia tudo na pequena cozinha do apartamento”, conta.

Com a demanda crescente, dois meses depois ela buscou um espaço maior. “Tive medo de assumir um aluguel – estava com o nome negativado, sem cartão de crédito, e a produção dependia de vendas prévias para comprar insumos.” Mesmo assim, alugou um local e, com apenas duas fritadeiras, triplicou a produção. A rotina tornou-se intensa: ela e o marido dormiam no chão e acordavam horas depois para produzir durante a madrugada. O esposo trabalhava em um bananal, só podendo ajudar à noite e nos fins de semana.

Renegociação de dívidas e apoio da cooperativa

Determinada a avançar, Vanuza renegociou os débitos acumulados: quitou à vista o que conseguiu e parcelou o restante. Procurou então a Viacredi, uma cooperativa Ailos, para abrir contas física e jurídica. O acesso a cartão de crédito e, depois, a linhas de crédito permitiu comprar insumos, formar estoque de embalagens e óleo, e oferecer mais prazo aos clientes. “Foi quando tudo começou a melhorar de verdade, porque passamos a conseguir nos planejar. Antes eu precisava esperar vender para comprar matéria-prima”, afirma.

Produção artesanal e sabores exclusivos

Hoje a VC Chips funciona em uma cozinha alugada ao lado da casa de Vanuza, em Corupá (SC), a 22 km de Jaraguá do Sul. O marido deixou o emprego para se dedicar ao negócio, e o casal conta com uma colaboradora que descasca as bananas. Os chips são feitos a partir de banana verde fatiada, frita e desidratada, com receita aperfeiçoada ao longo do tempo. “Nem todos os testes davam certo, mas fui aprendendo. Hoje nosso diferencial está nesse processo artesanal e em alguns segredos que a gente preserva”, diz.

A empresa produz os sabores tradicional, cebola e salsa, bacon, lemon pepper e canela, além de uma versão de inhame feita ocasionalmente. As técnicas evoluíram de um ralador doméstico para métodos que reduzem a absorção de óleo e aprimoram a textura.

Sucesso na feira: estoque esgotado em duas horas

A força do produto chamou atenção durante a Feira do Negócio Local da Viacredi, em maio. Vanuza relutou em participar, mas a equipe da cooperativa insistiu. “Pensei que a quantidade preparada seria suficiente, mas não foi: logo no primeiro dia, em duas horas, todos os pacotes dos sabores disponíveis já haviam sido vendidos. Precisei fechar a banca e buscar mais produtos. Depois vendi tudo de novo.” Ao todo, mais de 500 pacotes foram comercializados nos dois dias da feira. “Se eu tivesse produzido mais, teria vendido mais. Em vários momentos a banca ficou vazia”, conta.

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A experiência trouxe confiança no potencial do produto. Vanuza reconhece que ainda enfrenta dificuldades, principalmente na precificação, e defende que é preciso valorizar mais o que produz para manter a saúde financeira da empresa, mesmo que isso signifique vender menos no curto prazo. Atualmente, a VC Chips registra faturamento bruto mensal de cerca de R$ 24 mil, mas grande parte da receita destina-se aos custos operacionais. Para ela, o crescimento é resultado de trabalho constante, aprendizado com os erros e persistência.

Sobre a Viacredi

Maior cooperativa de crédito do Brasil em número de cooperados, a Viacredi é uma cooperativa Ailos com mais de 1 milhão de cooperados, presente em 28 municípios de Santa Catarina e Paraná, somando 112 postos de atendimento e mais de 2 mil colaboradores. A instituição reúne mais de R$ 16 bilhões em ativos, R$ 9,3 bilhões em operações de crédito e R$ 11,8 bilhões em depósitos totais. Constituída em 1951, a cooperativa tem como propósito unir pessoas para transformar vidas, comprometida com os princípios cooperativistas, com seus cooperados e com as comunidades onde está presente.