A Chanel anunciou nesta quinta-feira a compra da Charvet, a mais antiga camisaria da França, conhecida por suas camisas listradas de linho que custam cerca de 655 euros (aproximadamente R$ 4.000). A marca, fundada em 1838, já teve entre seus clientes Winston Churchill, Charles Baudelaire e Marcel Proust.
Colaboração com Matthieu Blazy levou à aquisição
A aquisição ocorre após a colaboração da Charvet com o diretor artístico da Chanel, Matthieu Blazy, em seu desfile de estreia na grife no ano passado, no qual as camisas da Charvet tiveram destaque. Segundo comunicado da Chanel, houve o “desejo de continuar o diálogo, considerando a integração da Charvet, de forma a preservar e perpetuar esse savoir-faire dentro de uma estrutura duradoura”. Os termos do negócio não foram divulgados.
Produtos e clientes ilustres
Os produtos da Charvet são vendidos em uma loja na Place Vendôme, perto do Museu do Louvre, em Paris, além de plataformas online como a Mr Porter. Bruno Pavlovsky, responsável pelas operações de moda da Chanel, destacou que Boy Capel, que teve um relacionamento com Gabrielle “Coco” Chanel, usava com frequência camisas da Charvet. Capel foi um jogador britânico de polo que ajudou a estilista no início de sua carreira.
Charvet se junta ao portfólio da Chanel
A camisaria passa a integrar o grupo de marcas sob o guarda-chuva da Chanel, que inclui a marca de moda praia Eres, a joalheria Goossens e a especialista em cashmere Barrie. A Chanel desenha apenas coleções femininas e de alta-costura, e nunca entrou no segmento masculino, embora produza a fragrância Bleu de Chanel, cujo embaixador é Jacob Elordi.
Chanel é controlada pelos irmãos Wertheimer
A Chanel é uma empresa de capital fechado controlada pelos irmãos Alain e Gerard Wertheimer, cuja fortuna é estimada em US$ 42,8 bilhões cada, segundo o Bloomberg Billionaires Index. Em maio, a Chanel informou que as vendas voltaram a crescer no ano passado, após a queda registrada em 2024, quando os aumentos de preços afastaram consumidores. A companhia disse ver sinais “muito bons” de que as criações de Blazy estão atraindo clientes.
Perspectivas para o setor de luxo
A consultoria Bain estima que o setor de bens pessoais de luxo crescerá entre 2% e 4% em taxas cambiais constantes neste ano — uma revisão para baixo em relação à previsão anterior, mas ainda acima da expansão de 1% registrada no ano passado.



