O governo brasileiro apresentou nesta quinta-feira (2) sua resposta formal à investigação dos Estados Unidos sobre supostas práticas desleais de comércio. O processo, baseado no artigo 301 da legislação americana, pode levar à imposição de uma sobretaxa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou o documento ao Escritório do Representante do Comércio dos Estados Unidos.
Brasil rejeita conclusões e defende soberania
No documento, o governo brasileiro afirma que “rejeita enfaticamente as conclusões da investigação e declara que atos, políticas e práticas não são de forma alguma irrazoáveis, discriminatórios ou prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos”. A defesa brasileira argumenta que a legislação americana não autoriza a imposição de medidas comerciais apenas por discordar das escolhas políticas de outro país soberano.
PIX é alvo das críticas americanas
Entre os alvos das críticas dos EUA está o sistema de pagamentos instantâneos PIX. O Brasil respondeu que “a ferramenta é uma infraestrutura pública de acesso aberto, não discriminatório, criado para promover concorrência, reduzir custos e que, ao contrário do que sugere a investigação, não exclui empresas estrangeiras”.
Diálogo e próximos passos
O governo brasileiro tem pressa e participou, nesta quinta-feira, de mais uma rodada de reuniões com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos, conforme acordado no encontro entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva em maio. A decisão final dos americanos deve sair no dia 15 de julho. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, disse em nota que “os esforços vão continuar e que o diálogo tem sido construtivo e que mais tempo será preciso para detalhar propostas e aproximar posições”.



