O fundo imobiliário CACR11 (Cartesia Recebiveis Imobiliarios) perdeu cerca de R$ 369 milhões em valor de mercado desde que suas cotas eram negociadas próximas de R$ 100 um ano atrás. Na sessão desta quarta-feira (1º), durante a tarde, a cota registrou queda de 14,7%, a R$ 23,32, reduzindo a avaliação do fundo na Bolsa para aproximadamente R$ 112 milhões, apesar de manter um patrimônio líquido de R$ 472 milhões.
Cotação a 24% do valor patrimonial
Atualmente, o CACR11 negocia a apenas 24% do valor patrimonial (P/VP de 0,24). Na prática, o mercado atribui um desconto próximo de 76% sobre os ativos do fundo. A deterioração também aparece na evolução das cotas. Nos últimos 12 meses, mostra dados da plataforma do Clube FII, o CACR11 acumula desvalorização de 76,7%, enquanto apenas no último mês a queda supera 15%.
Apesar da forte correção, o fundo ainda reúne patrimônio próximo de R$ 472 milhões, mais de 25 mil cotistas e carteira concentrada em recebíveis imobiliários. A liquidez média diária gira em torno de R$ 735 mil, segundo dados divulgados pela gestora.
Comunicados da Cartesia Capital
A reação do mercado ocorreu após dois comunicados divulgados pela Cartesia Capital: um informando que não haverá distribuição de rendimentos do resultado referente a junho e outro convocando uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para discutir a retenção dos resultados do semestre.
Assembleia votará retenção de até 95% do resultado semestral
Na assembleia, os investidores serão chamados a deliberar sobre a não distribuição de, no mínimo, 95% dos resultados apurados no primeiro semestre de 2026, contrariando a prática tradicional dos fundos imobiliários de distribuir a maior parte do lucro semestral. Segundo a proposta, os recursos permanecerão no caixa do fundo para reforçar a liquidez, financiar investimentos em imóveis que integram o patrimônio e fazer frente a eventuais despesas extraordinárias.
A votação ocorrerá de forma eletrônica até 16 de julho, por meio da plataforma Cuore, e o resultado será divulgado no dia 17 de julho.
Gestora suspende dividendos
Em comunicado ao mercado, a Cartesia afirmou que a suspensão dos dividendos não altera a qualidade das garantias das operações investidas. A gestora comentou que os ativos seguem amparados por garantias reais e reiterou que continuará trabalhando para restabelecer a posição de liquidez do fundo “no menor prazo possível”.
A interrupção dos proventos ocorre em meio a um cenário mais desafiador para o crédito imobiliário. O fundo possui exposição a CRIs ligados a projetos de desenvolvimento, muitos ainda em estágio inicial, o que aumenta o risco em momentos de juros elevados e desaceleração econômica.
Cotistas reprovam demonstrações financeiras de 2025
Recentemente, os cotistas do CACR11 decidiram rejeitar as demonstrações financeiras do fundo referentes ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025. A reprovação do balanço não implica, automaticamente, a identificação de irregularidades ou fraudes nas demonstrações financeiras. No entanto, a decisão costuma servir como um sinal de insatisfação dos investidores em relação às informações apresentadas pela administração do fundo, podendo resultar em pedidos adicionais de esclarecimentos ou na adoção de medidas posteriores pelos prestadores de serviço.



