C&A lucra R$ 178 milhões no 2º trimestre, queda de 11%
C&A lucra R$ 178 mi no 2º tri, queda de 11%

A rede varejista de moda C&A reportou nesta quinta-feira um lucro líquido de R$ 178 milhões no segundo trimestre de 2026, uma diminuição de 11% em comparação aos R$ 200 milhões obtidos no mesmo intervalo de 2025. O resultado veio em linha com as expectativas de analistas, que projetavam ganhos entre R$ 170 milhões e R$ 185 milhões.

A receita líquida da companhia somou R$ 2,1 bilhões entre abril e junho, uma retração de 2,4% na base anual, pressionada pelo desempenho mais fraco das vendas em lojas físicas, que caíram 3,1%, enquanto o e-commerce cresceu 5,2% no período. O indicador de vendas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) recuou 1,8%.

Margem e custos

A margem bruta da varejista atingiu 52,3%, uma alta de 0,8 ponto percentual em relação ao ano anterior, beneficiada por uma gestão mais eficiente de estoques e pela redução de descontos nas coleções de inverno. As despesas operacionais, por sua vez, subiram 2,1%, refletindo investimentos em logística e tecnologia.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado ficou em R$ 320 milhões, com margem de 15,2%, uma queda de 1,1 ponto percentual frente ao segundo trimestre de 2025. A companhia atribuiu a redução ao aumento de custos com pessoal e à abertura de novas unidades.

Impacto da inflação e consumo

Em comunicado, a administração da C&A ressaltou que o cenário macroeconômico, com inflação de alimentos e juros elevados, segue pressionando o consumo das famílias de baixa renda. “Nosso cliente está mais seletivo, buscando ofertas e priorizando itens essenciais. Por isso, reforçamos nossa estratégia de preços competitivos e de coleções cápsula”, afirmou o diretor-presidente da companhia, Paulo Correa, em nota.

“Apesar do ambiente desafiador, mantivemos a disciplina financeira e conseguimos proteger a margem bruta. Estamos confiantes na recuperação da demanda na segunda metade do ano, com a chegada da coleção de primavera-verão e as ações de back to school”, completou o executivo.

Dívida e investimentos

A alavancagem medida pela dívida líquida sobre Ebitda ajustado ficou em 1,4 vez ao final de junho, estável em relação a março. A geração de caixa operacional no trimestre foi de R$ 150 milhões, suficiente para cobrir os investimentos de R$ 90 milhões, destinados principalmente à reforma de lojas e à expansão do canal digital.

A companhia encerrou o semestre com 380 lojas no Brasil, duas a menos do que no fim de 2025, após o fechamento de unidades não rentáveis. O plano de reestruturação segue em curso, com previsão de encerrar o ano com cerca de 375 lojas.

Perspectivas

Para o terceiro trimestre, a C&A projeta uma estabilização das vendas, com possível leve alta no e-commerce. A empresa espera que a redução da taxa Selic, iniciada em agosto, ajude a aliviar o crédito ao consumidor e a estimular o consumo de vestuário. No entanto, a administração alerta para riscos de câmbio e de pressão nos custos de importação de tecidos.

As ações da C&A ON fecharam o pregão desta quinta-feira em alta de 2,3%, a R$ 12,40, refletindo a reação positiva do mercado ao resultado dentro do esperado e à manutenção da política de dividendos. No ano, os papéis acumulam valorização de 9,8%.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar