O brasileiro Thiago Morais da Silva Moita, de 35 anos, perdeu R$ 340 mil em apostas online e decidiu se alistar no Exército Ucraniano para combater o vício. Natural do Rio de Janeiro e morador de Iguape (SP), ele atua na cidade de Dnipro, na linha de frente da guerra contra a Rússia. "A pessoa precisa sobreviver para receber", afirmou ao g1, destacando que a vida militar mudou sua relação com o dinheiro e o ajudou a superar a ludopatia — transtorno mental classificado pela OMS como vício em jogos de azar.
Perdas financeiras e decisão radical
Moita trabalhava como produtor de eventos, vendedor de eletrônicos e motorista de aplicativo, mas todo o dinheiro conquistado era consumido por plataformas de apostas. O ápice ocorreu quando perdeu R$ 75 mil em um único dia. Após uma psicóloga diagnosticar indícios de ludopatia, ele decidiu mudar. "Eu estava me destruindo. Pensei: 'Eu preciso sair daqui, preciso mudar'. O meu pai me falou: 'Você já apostou tudo que você tem, agora vai apostar a sua vida?'", relatou. Para conter os gastos, chegou a pedir que o pai confiscasse seu celular.
Alistamento e rotina na guerra
Com família de militares, Moita ingressou na Legião Internacional de Defesa da Ucrânia em março de 2024. A decisão não foi bem recebida por parentes, mas ele afirma que o desafio transformou sua percepção sobre dinheiro. Na farda, usa o apelido "BadBoy", da infância em São Gonçalo. A rotina inclui missões de uma semana a 40 dias e treinamentos diários de 12 horas para manuseio de armas, minas e explosivos.
Riscos e sobrevivência
Logo ao chegar, sobreviveu a um ataque direto: "Menos de uma semana depois que cheguei lá, caiu um míssil na minha casa. Passou um caça e jogou três bombas lá". Em outra ocasião, escapou de um bombardeio fatal que matou dezenas, incluindo um colega brasileiro, por ter sido transferido a tempo. "Se eu não tivesse sido transferido a tempo, estaria morto agora", disse.
Remuneração e futuro
Moita é remunerado como combatente, com valores variáveis. Recentemente, foi anunciado aumento para militares na linha de frente, chegando a 400 mil grívnias por mês (cerca de R$ 46,4 mil). Ele alerta: "Se for pelo salário, dá para ganhar dinheiro no Brasil. Aqui é brincar com a morte". O contrato prevê um mês de férias, com retorno ao Brasil entre novembro e dezembro de 2024. Após o descanso, ele decidirá se rescinde o acordo ou cumpre mais três anos no Exército Ucraniano. "Não sei o que vai acontecer daqui para frente", afirmou.



