Brasil vira o país dos empresários, aponta pesquisa do IBGE
Brasil vira o país dos empresários, aponta IBGE

Uma simples caminhada por qualquer centro comercial brasileiro em 2026 já permite notar: o Brasil se tornou, de fato, o país dos empresários. Não se trata apenas de impressão. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o número de pessoas ocupadas com um negócio próprio — seja um MEI formalizado, uma empresa familiar ou um trabalhador autônomo — ultrapassou, no segundo trimestre deste ano, a marca de 39 milhões.

Quem são os novos empreendedores

De acordo com o IBGE, o crescimento veio puxado, em grande parte, pelos chamados microempreendedores individuais. Nos últimos seis anos, a base de MEIs ativos mais que dobrou, segundo dados da Receita Federal. O perfil desse contingente, no entanto, mudou: não se trata mais apenas do profissional liberal que decide abrir um CNPJ para formalizar sua atividade. Hoje, uma fatia considerável é formada por pessoas que viram no próprio negócio a única alternativa à falta de vagas no mercado formal de trabalho.

Especialistas ouvidos pelo blog afirmam que o fenômeno tem dois lados. Um deles é o aumento da resiliência da economia brasileira, que viu na microempresa um motor para a geração de renda. Outro, mais preocupante, é a precarização das condições de trabalho, já que muitos desses empreendedores vivem sem rede de proteção social.

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O lado informal do empreendedorismo

Nem tudo, porém, está nas estatísticas oficiais. Apesar do recorde no número de negócios registrados, o IBGE calcula que quase metade dos trabalhadores por conta própria no país atua na informalidade. Isso significa que milhões de "empresários" não têm acesso a benefícios previdenciários, auxílio-doença ou aposentadoria.

A informalidade também é refletida no faturamento desses negócios. Pesquisas mostram que a maioria dos pequenos empreendimentos no Brasil tem ganhos mensais inferiores a um salário mínimo, o que contradiz a imagem de um país próspero em que todos conseguem se desenvolver com o próprio esforço.

O impacto na economia

A explosão do autoemprego tem impacto direto nas contas públicas e no Produto Interno Bruto (PIB). Com mais pessoas se formalizando, a arrecadação de impostos sobre serviços e mercadorias tende a aumentar, mas a capacidade de contribuição desses microempresários ainda é limitada. Analistas avaliam que, sem uma reforma estrutural que reduza custos e burocracia, o Brasil seguirá sendo um país de pequenos negócios frágeis, mais sujeitos ao fechamento precoce.

Dados do Sebrae mostram que, em média, mais de 8 em cada 10 empresas formalizadas no Brasil encerram as atividades antes de completar cinco anos de vida. A alta taxa de mortalidade empresarial é um dos maiores desafios para o ecossistema de empreendedorismo nacional.

Um título com ressalvas

Portanto, se o Brasil pode até ser considerado o "país dos empresários" pela quantidade de brasileiros que abrem um negócio, a qualidade dessa empreitada deixa a desejar. Para os especialistas, o caminho para que o título seja celebrado passa pelo fortalecimento das políticas de crédito, pela educação empreendedora e, sobretudo, pela geração de empregos formais que tirem do trabalhador a obrigação de se arriscar na informalidade.

Enquanto isso não acontece, a impressão de quem anda pelas ruas do país é a de um imenso laboratório de ideias, que resiste à crise e luta por espaço todos os dias.

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