A disputa entre as marcas de cerveja no mercado brasileiro ganhou um novo capítulo. A Brahma, da Ambev, protocolou uma representação no Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) contra o mais recente comercial da concorrente Itaipava, que associa o ex-jogador Ronaldinho Gaúcho à seleção brasileira.
O anúncio da Itaipava
A peça publicitária da Itaipava exibe Ronaldinho Gaúcho vestindo a camisa amarela e azul, cores tradicionais da seleção, e faz referências diretas à conquista do pentacampeonato de 2002, da qual o ex-jogador foi um dos principais protagonistas. A campanha, veiculada em canais de televisão e plataformas digitais, usa o lema "O legado continua", sugerindo uma ligação entre a marca e a história vitoriosa da seleção.
Motivação da Brahma
A Brahma alega que a propaganda cria uma associação indevida entre a Itaipava e a seleção brasileira, explorando a memória afetiva do torcedor de forma enganosa. Segundo a empresa, a ação configura concorrência desleal, pois a Brahma detém direitos de patrocínio oficial da Seleção Brasileira de Futebol pela CBF desde 1999. "A propaganda da Itaipava usa símbolos da seleção sem autorização, confundindo o consumidor e prejudicando a Brahma como patrocinadora oficial", afirmou o diretor de marketing da Brahma, Carlos Brito.
Reação da Itaipava
Procurada, a Itaipava defendeu a campanha, afirmando que não usa a camisa oficial da CBF e que a imagem de Ronaldinho Gaúcho é uma homenagem ao jogador, que tem contrato de patrocínio com a marca. "O anúncio não faz referência à atual seleção, mas à carreira de Ronaldinho, que vestiu a amarelinha em 2002", disse o porta-voz da empresa.
Histórico de disputas
Esta não é a primeira vez que marcas de cerveja recorrem ao Conar por uso indevido de símbolos da seleção. Em 2018, durante a Copa do Mundo, a Ambev também questionou campanhas da concorrente que associavam seus produtos ao torneio. A decisão do Conar é esperada para as próximas semanas e pode determinar a suspensão do anúncio.
Impacto no mercado
A ação reflete a alta competitividade no setor cervejeiro, especialmente em ano de Copa do Mundo. Especialistas apontam que as marcas investem pesado em publicidade associada ao futebol, e a batalha pela associação à seleção é estratégica. O Conar tem poder de veto a comerciais que violem as regras de autorregulamentação, e a decisão pode influenciar futuras campanhas.



