A Beiersdorf, controladora da Nivea, divulgou nesta segunda-feira (3) a redução de sua projeção de crescimento para 2026, citando uma recuperação mais lenta do que a esperada na principal marca de cuidados com a pele. A empresa alemã agora espera alta orgânica das vendas do grupo entre 3% e 4% neste ano, ante a meta anterior de 4% a 6%.
Revisão do guidance
No balanço do segundo trimestre, enviado ao mercado, a companhia afirmou que o ajuste reflete a fraqueza persistente no setor de cosméticos e a dificuldade da Nivea em retomar o ritmo pré-pandemia, especialmente na Europa e na China. A unidade de consumer, que responde por quase 90% da receita total, também teve a previsão reduzida de 4%-6% para 3%-4%.
“A recuperação do mercado de cuidados com a pele está mais lenta do que imaginávamos”, admite a empresa em seu relatório, sem citar nominalmente executivos. O tom cauteloso foi reforçado pela manutenção da projeção de margem operacional, que deve ficar em torno de 14% a 15% neste ano, excluindo efeitos cambiais.
Desempenho da Nivea
A Nivea, maior marca do portfólio, registrou desaceleração no crescimento orgânico no segundo trimestre. Segundo a Beiersdorf, a demanda por cremes, loções e protetores solares perdeu força no varejo físico e online, apesar dos investimentos em marketing e do lançamento de novas linhas.
Na Europa, o mercado de mass market, onde a Nivea é líder, mostrou queda de volume em algumas categorias. Na China, a recuperação das vendas foi adiada depois de um primeiro trimestre já fraco. O grupo também citou o aumento da concorrência de marcas locais e de produtos mais baratos, que pressionam os preços médios.
Impacto no mercado
As ações da Beiersdorf operavam em forte queda na Bolsa de Frankfurt na manhã desta segunda-feira, acompanhando o tom negativo do mercado e a revisão para baixo. Analistas consultados pela agência de notícias Reuters apontaram que o mercado esperava uma manutenção das metas, e a surpresa negativa deve provocar revisões de estimativas de lucro.
A divisão Tesa, que produz fitas adesivas e soluções técnicas, manteve a projeção de crescimento orgânico de 2% a 4% para o ano. A empresa afirmou que o segmento vem se beneficiando da estabilidade da indústria automotiva e de novas aplicações em baterias, mas destacou que a incerteza macroeconômica continua alta.
Perspectivas
Com a nova orientação, a Beiersdorf passa a depender de uma aceleração no segundo semestre para atingir o piso da meta. A companhia ressaltou que manterá os investimentos em inovação e em eficiência operacional, mas que a prioridade é proteger a rentabilidade diante do cenário desafiador.
O anúncio ocorre em um momento de pressão para o setor de bens de consumo, que enfrenta custos mais altos de matérias-primas e mudanças no comportamento do consumidor. A Beiersdorf, que também é dona das marcas Eucerin, La Prairie e Hansaplast, afirmou que a revisão não muda os planos de expansão nos mercados emergentes, incluindo o Brasil, onde a Nivea é uma das marcas mais vendidas.
Os resultados completos do primeiro semestre serão apresentados em conferência com investidores ainda nesta segunda-feira. A companhia deve fornecer mais detalhes sobre o desempenho por região e sobre as medidas para reacelerar a Nivea no segundo semestre.



