A operadora da Bolsa brasileira, B3, está avaliando uma ampla revisão da metodologia do Ibovespa, conforme notícias recentes. Entre as principais propostas, destaca-se a possível inclusão de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) de empresas com exposição relevante ao Brasil, como Nubank (BDR: ROXO34) e Mercado Livre (BDR: MELI34). Além disso, cogita-se um aumento nas taxas de licenciamento cobradas de fundos que utilizam índices da B3 como referência (benchmark). A proposta ainda está em fase de consulta, sem detalhes oficiais sobre a metodologia final, cronograma ou implementação.
Impacto da inclusão de BDRs no Ibovespa
Para o Bank of America (BofA), a entrada dos BDRs no índice poderia aumentar a atratividade do Ibovespa para investidores. Em análise anterior, o Bradesco BBI ressaltou que a principal mudança viria com uma eventual inclusão do Mercado Livre. Sem a empresa, o índice ficaria ainda mais concentrado em instituições financeiras. Com ela, haveria maior equilíbrio setorial, com aumento da participação de consumo discricionário.
A reforma também poderia destravar fluxos relevantes. Considerando cerca de R$ 300 bilhões em ativos atrelados ao Ibovespa, o BBI estimou uma demanda adicional de aproximadamente R$ 13 bilhões em compras, especialmente concentradas em Nubank e Mercado Livre. O movimento, porém, tenderia a ser gradual, pois fundos de pensão — importantes investidores no mercado local — teriam restrições regulatórias que limitam a exposição a BDRs.
O que são BDRs e quais empresas se destacam
Os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) são valores mobiliários negociados no Brasil que representam ações de empresas estrangeiras, permitindo que investidores locais acessem o mercado de ações internacional sem investir diretamente no exterior. Atualmente, existem cerca de 818 BDRs listados na B3; aproximadamente 55% deles acompanham empresas dos EUA integrantes do índice S&P 500. No universo restante, David Beker e equipe, estrategistas que assinam o relatório do Bank of America, identificam apenas nove BDRs cujo principal país é o Brasil. “Acreditamos que esses estejam entre os mais relevantes para monitoramento caso os BDRs se tornem elegíveis para inclusão no Ibovespa”, aponta.
Além de Mercado Livre e Nubank, XP (XPBR31), Stone (STOC34) e Inter (INBR32) destacam-se como as empresas de maior porte e liquidez. O BofA também destaca a JBS (JBSS32) e a Aura Minerals (AURA33). No entanto, a JBS gera a maior parte de suas receitas nos EUA e é classificada pela Bloomberg com os Países Baixos como seu principal país de risco. A Aura Minerals obtém uma grande parcela de suas receitas do Canadá, enquanto os EUA são identificados como seu principal país de risco.
Como é o Ibovespa atualmente
O índice Ibovespa é composto atualmente por 78 ações, seguindo uma metodologia que prioriza a liquidez como principal critério de inclusão. As ações também devem representar pelo menos 0,1% do volume de negociação no mercado à vista ao longo dos três períodos de revisão do índice anteriores. Ações de baixo valor unitário (penny stocks, negociadas abaixo de R$ 1) são excluídas. Isso contrasta com a metodologia da MSCI, que enfatiza o porte e o free float como os principais fatores de inclusão. Caso os BDRs venham a ser incluídos, o Ibovespa poderia se aproximar do modelo do MSCI Brazil, que permite a inclusão de valores mobiliários listados no exterior desde 2024 e conta atualmente com empresas como Aura, JBS, Nubank, Stone e XP.



