As ações da TIM (TIMS3) e da Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, operam em baixa na sessão desta terça-feira (28), após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026 na véspera. Por volta das 10h45 (horário de Brasília), os papéis da TIM caíam 5,12%, cotados a R$ 20,40, enquanto VIVT3 recuava 4,45%, a R$ 34,38.
Desempenho da Vivo (VIVT3) sob a lupa dos analistas
Em relatório, o Bradesco BBI classificou o desempenho da Vivo como misto. A companhia apresentou aceleração no crescimento da receita de serviços e manteve performance resiliente em serviços móveis, com a melhor dinâmica entre as três grandes operadoras. No entanto, o lucro líquido de R$ 1,6 bilhão ficou 11,6% abaixo da projeção do BBI, refletindo EBITDA menor e despesas de depreciação e amortização mais elevadas. O banco manteve recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 39,00.
O Goldman Sachs destacou que o mix de receitas veio mais fraco do que o esperado, principalmente devido às vendas de aparelhos acima das estimativas. A receita de serviços móveis (MSR) cresceu 6,6%, no mesmo ritmo do trimestre anterior, mas abaixo da expectativa do Goldman (6,9%). Esse desempenho pressionou o custo dos produtos vendidos (CPV), embora tenha sido parcialmente compensado pelo controle das despesas com pessoal, que recuaram 0,5 ponto percentual na comparação anual. O banco reiterou classificação de venda e preço-alvo de R$ 36,50.
O JPMorgan avaliou que a Telefônica apresentou bom desempenho no segundo trimestre, com a receita de serviços móveis mantendo o mesmo ritmo de crescimento do primeiro trimestre, contrastando com a desaceleração de concorrentes como TIM e Claro. Por outro lado, a rentabilidade, desconsiderando ganhos com venda de ativos, ficou abaixo do esperado. O EBITDA veio em linha com as projeções, mas o lucro líquido ficou abaixo, pressionado por maiores despesas com depreciação, amortização e financeiras. O JPMorgan manteve recomendação de venda e preço-alvo de R$ 33.
O Itaú BBA destacou que a Vivo continua a apresentar sólido crescimento da receita de vendas de títulos (MSR) e avança na estratégia de convergência, reforçando sua forte execução em um contexto macroeconômico e competitivo desafiador. O BBA reiterou recomendação neutra e preço-alvo de R$ 38.
A Monta Bravo classificou os números como mistos, com bom desempenho na parte de receitas contrabalanceado por margens um pouco piores e geração de caixa impactada por investimentos maiores do que o previsto. Apesar de considerar a Vivo uma excelente companhia, a Monte Bravo disse ter dificuldades de enxergar upside nos preços atuais, mantendo recomendação neutra e preço-alvo de R$ 31.
TIM (TIMS3) sob pressão competitiva
O Bradesco BBI vê os resultados da TIM como negativos, devido à desaceleração relevante da receita móvel gerada por clientes. “Embora o EBITDA tenha vindo amplamente em linha e as métricas de rentabilidade e geração de caixa ainda permaneçam saudáveis, o resultado reforça nossa visão de que o aumento da competição no mercado móvel está pressionando a performance operacional da TIM”, comentou o banco. As despesas com inadimplência cresceram 38,1% em base anual, com pressão adicional de um cliente específico no segmento B2B/Wholesale. A receita de fibra também desacelerou, crescendo 9,5%, ante 11,4% no primeiro trimestre. O BBI reiterou recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 26,00.
O Goldman Sachs pontuou que a receita e margem EBITDA ajustada vieram em linha com suas estimativas. O desempenho mais forte das receitas de serviços fixos compensou receitas mais fracas com vendas de aparelhos. O lucro líquido praticamente coincidiu com a projeção, ficando apenas 0,5% abaixo. Um resultado financeiro 16% pior do que o esperado foi compensado por uma alíquota efetiva de imposto menor. O Goldman Sachs manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 26.
O JPMorgan avaliou que a TIM apresentou um trimestre misto. O EBITDA ajustado superou em 3% a estimativa do banco e veio em linha com o consenso, mas esse desempenho foi parcialmente ofuscado por um crescimento mais fraco da receita de serviços móveis. A MSR desacelerou para 4,6% na comparação anual, abaixo da projeção do JPMorgan (5,1%) e do consenso de mercado (4,9%), representando o ritmo de crescimento mais lento desde 2021. O banco manteve recomendação neutra.
O Itaú BBA avaliou que o resultado da TIM, praticamente em linha com as expectativas, ajuda a reduzir o risco de revisões negativas nas estimativas de consenso para o fim de 2026, após o desempenho abaixo do esperado no primeiro trimestre. O baixo posicionamento dos investidores também pode dar suporte às ações no curto prazo, apesar dos desafios macroeconômicos esperados para o segundo semestre. O banco destacou três pontos principais: a migração de clientes do pré-pago para o pós-pago e a estratégia de precificação, especialmente diante da maior inadimplência; a sustentabilidade da recuperação das margens; e os desdobramentos da estratégia de convergência, sobretudo após o lançamento do UltraCombo. O Itaú BBA manteve recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 30, e destacou que as ações negociam com dividend yield próximo de 10%.



