As ações da Warner Bros. Discovery atingiram nesta terça-feira (27) o menor preço desde o anúncio do acordo de fusão com a Paramount Global, ocorrido em 2024. O papel fechou a US$ 7,82, uma queda de 15,2% no dia, acumulando perdas de mais de 40% no ano.
Contexto do acordo e reação do mercado
A fusão com a Paramount, concluída em meados de 2024, criou uma das maiores empresas de entretenimento do mundo, com ativos que incluem estúdios de cinema, canais de TV por assinatura e serviços de streaming. No entanto, o mercado tem reagido negativamente, preocupado com a alta alavancagem financeira e a intensa concorrência no setor.
De acordo com analistas do Bank of America, a dívida líquida da companhia, estimada em US$ 45 bilhões, é um dos principais fatores de pressão. "O mercado questiona a capacidade de geração de caixa para pagar os juros", afirmou o analista João Pedro Silva, em relatório.
Desafios concorrenciais e streaming
Além do endividamento, o grupo enfrenta a concorrência acirrada de gigantes como Netflix, Disney e Amazon. O serviço Max, que uniu os catálogos da HBO e Paramount+, registrou crescimento de assinantes abaixo do esperado no segundo trimestre de 2026. A empresa reportou 98 milhões de assinantes globalmente, ante projeção de 105 milhões.
“A integração das plataformas foi complexa e ainda não gerou as sinergias prometidas”, comentou Maria Fernandes, especialista em mídia da XP Investimentos. A receita de streaming subiu apenas 4% na comparação anual, bem abaixo dos dois dígitos projetados.
Impacto nos investidores e perspectivas
A desvalorização das ações afeta especialmente os acionistas que detinham papéis antes da fusão. Desde o fechamento do acordo, o valor de mercado encolheu quase US$ 30 bilhões. A Warner Bros. Discovery está avaliada atualmente em cerca de US$ 12 bilhões.
O conselho da empresa estuda um plano de redução de custos adicional, que pode incluir a venda de ativos não estratégicos, como estúdios menores e parte do catálogo de filmes antigos. A decisão deve ser anunciada no próximo balanço trimestral, em agosto. Para os analistas, o momento exige cautela: as ações podem continuar voláteis enquanto o mercado não enxergar uma trajetória clara de redução da dívida.



