Movimento falimentar atinge 25% das empresas brasileiras em 2026
25% das empresas brasileiras enfrentam falência

O número de pedidos de falência no Brasil registrou um aumento de 30% no primeiro semestre de 2026, atingindo 25% das empresas ativas, segundo levantamento da Serasa Experian divulgado nesta terça-feira. O movimento falimentar é o maior desde 2015 e preocupa analistas, que apontam a alta taxa de juros e a inflação persistente como principais fatores.

Setores mais afetados

Comércio e serviços lideram os pedidos, com 40% e 35% dos casos, respectivamente. A indústria responde por 20%, e o agronegócio, por 5%. Pequenas e médias empresas representam 80% dos requerimentos, muitas delas endividadas após a pandemia.

“O cenário é desafiador. As empresas não conseguem repassar custos e enfrentam demanda fraca”, afirma Carla Romano, economista-chefe da consultoria MacroVisão.

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Causas estruturais

A taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, encarece o crédito. A inflação acumulada em 12 meses chegou a 7,8%, corroendo o poder de compra. Além disso, a inadimplência corporativa subiu para 6,2%, a maior em uma década.

O estudo da Serasa também mostra que o prazo médio para recuperação judicial dobrou, passando de 12 para 24 meses. “Sem reformas estruturais, o movimento falimentar deve se intensificar até o fim de 2026”, alerta o presidente da Serasa, Maurício Pimenta.

Impacto no emprego

Mais de 500 mil postos de trabalho foram fechados em empresas que entraram com pedido de falência ou recuperação judicial nos últimos seis meses. Sindicatos cobram medidas emergenciais do governo, como a redução temporária de tributos e a renegociação de dívidas.

Apesar do cenário, especialistas destacam que a recuperação judicial ainda pode salvar muitas empresas. “É uma ferramenta importante, mas precisa ser mais ágil e menos burocrática”, conclui Romano.

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