Balanço decepciona e ação despenca
O Santander Brasil (SANB11) registrou forte queda na B3 nesta sexta-feira, após divulgar resultados trimestrais que frustraram as expectativas do mercado. Os papéis desabaram mais de 6%, ampliando a desvalorização acumulada no ano para cerca de 15%. O principal motivo foi a combinação de provisões para devedores duvidosos (PDD) acima do previsto e receitas mais fracas, especialmente com a queda da margem financeira líquida.
Provisões elevadas pressionam lucro
As despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa atingiram R$ 4,5 bilhões no trimestre, alta de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior e superando as estimativas dos analistas. O aumento reflete a deterioração da carteira de crédito, com inadimplência subindo para 3,2%, contra 2,9% no trimestre passado. Segundo analistas do mercado, o Santander tem enfrentado maior exposição a segmentos de maior risco, como pessoas físicas e pequenas empresas.
Receitas fracas e margem comprimida
Do lado das receitas, o banco reportou receita líquida de R$ 12,8 bilhões, ligeiramente abaixo do consenso. A margem financeira líquida, principal fonte de ganhos com empréstimos, caiu 2% na comparação trimestral, impactada pela concorrência acirrada e pela migração de clientes para produtos de menor rentabilidade. As receitas de serviços e tarifas também ficaram estáveis, sem conseguir compensar a pressão na margem.
Mercado reage com vendas e preocupação
A reação foi imediata. Às 11h, as ações SANB11 eram negociadas a R$ 26,30, queda de 6,4%. O volume financeiro disparou, com mais de 2 milhões de papéis negociados. Analistas cortaram preços-alvo e recomendação. O Credit Suisse reduziu o preço-alvo de R$ 32 para R$ 28, mantendo recomendação neutra. O Itaú BBA destacou que o resultado foi “negativo” e que a tendência de piora na qualidade dos ativos preocupa.
Perspectivas para os próximos trimestres
Para os analistas, o Santander Brasil enfrenta desafios estruturais. A alta da Selic, atualmente em 14,25% ao ano, eleva o custo de captação e pressiona as margens. Além disso, o crescimento mais lento da economia e o endividamento das famílias limitam a expansão do crédito. O banco prevê que a inadimplência deve continuar subindo nos próximos meses, o que exigirá provisões adicionais. Por outro lado, as despesas administrativas estão sob controle, com queda de 1% no trimestre, o que pode ajudar a mitigar os impactos.
O mercado agora aguarda a teleconferência de resultados, prevista para a próxima segunda-feira, quando a diretoria do banco deverá fornecer mais detalhes sobre as perspectivas e possíveis medidas para conter a deterioração da carteira. Enquanto isso, os investidores seguem cautelosos, à espera de um gatilho positivo para reverter a trajetória de queda.



