O Brasil registrou em julho a criação de 215.340 empregos formais, o melhor resultado para o mês desde 2021, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério do Trabalho. O número superou as expectativas do mercado, que projetava a abertura de cerca de 190 mil vagas.
Desempenho setorial e regional
O setor de serviços liderou a geração de vagas, com 98.450 postos de trabalho, seguido pela indústria, com 45.230, e pelo comércio, com 38.760. A construção civil contribuiu com 22.900 contratações, enquanto a agropecuária registrou saldo positivo de 10.000 empregos.
Na análise regional, o Sudeste concentrou o maior número de vagas, com 92.300 contratações, impulsionado por São Paulo (58.120) e Minas Gerais (21.340). O Sul apareceu em seguida, com 48.900 novos postos, e o Nordeste, com 41.200. O Centro-Oeste e o Norte registraram, respectivamente, 18.500 e 14.400 vagas.
Saldo acumulado e perspectivas
No acumulado do ano, o Brasil já soma 1,2 milhão de empregos formais, um aumento de 15% em relação ao mesmo período de 2025. O ministro do Trabalho, João Carlos Silva, comemorou os números: “Esses dados mostram a força do nosso mercado de trabalho e a eficácia das políticas públicas de geração de emprego.”
Especialistas, no entanto, alertam para a desaceleração econômica prevista para o segundo semestre, que pode impactar o ritmo de contratações. O economista-chefe da consultoria Tendências, André Pereira, afirma que “o resultado de julho é positivo, mas a alta da taxa de juros e a inflação ainda pressionam o poder de compra das famílias, o que pode arrefecer a demanda por trabalhadores nos próximos meses.”
Impacto na renda e formalização
O rendimento médio de admissão em julho ficou em R$ 2.145, um crescimento de 1,8% em relação ao mês anterior. A taxa de desemprego, medida pela PNAD Contínua, deve cair para 7,2% no trimestre encerrado em julho, o menor nível desde 2014.
A formalização também avançou: 68% das novas vagas foram preenchidas por trabalhadores com carteira assinada, contra 65% no mesmo período do ano passado. Isso reflete a melhora na fiscalização e a redução da informalidade.
Reações do setor produtivo
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou os dados como “animadores”, mas ressaltou a necessidade de reformas estruturais para sustentar o crescimento. “O Brasil precisa de mais investimentos em infraestrutura e educação para garantir empregos de qualidade no longo prazo”, afirmou o presidente da entidade, Ricardo Albuquerque.
Já a Central Única dos Trabalhadores (CUT) destacou que, apesar do recorde, ainda há 8 milhões de desempregados no país. “É preciso avançar na proteção social e na valorização dos salários”, disse o secretário-geral da CUT, Maria Aparecida Faria.
Os dados do Caged são considerados um dos principais indicadores do mercado de trabalho formal brasileiro e servem de base para políticas públicas de emprego e renda.



