Saldo geral de empregos cai 8% no trimestre
O mercado de trabalho formal brasileiro registrou uma desaceleração significativa no segundo trimestre de 2026. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o saldo líquido de empregos formais foi de 180 mil vagas, uma queda de 8% em relação ao mesmo período de 2025. Esse movimento, no entanto, trouxe um efeito colateral inesperado: a redução da diferença entre os saldos de homens e mulheres.
Diferença de gênero encolhe 12%
A diferença entre o saldo de empregos formais para homens e mulheres caiu 12% no segundo trimestre, passando de 45 mil para 39,6 mil vagas. Em termos percentuais, o saldo feminino representou 44% do total, ante 40% no ano anterior. “A desaceleração atingiu mais setores tradicionalmente masculinos, como a construção civil, enquanto serviços, que empregam mais mulheres, mantiveram relativa estabilidade”, explicou a economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marina Silva.
Setores industriais puxam queda
O setor de construção civil, um dos maiores empregadores de homens, perdeu 15 mil vagas líquidas no trimestre. Já o setor de serviços, que concentra 60% da mão de obra feminina formal, registrou saldo positivo de 5 mil vagas. A indústria de transformação também apresentou retração, com saldo negativo de 8 mil vagas, impactando predominantemente trabalhadores do sexo masculino.
Impacto na desigualdade de longo prazo
Especialistas apontam que a redução da disparidade não representa necessariamente uma melhora estrutural. “É um fenômeno conjuntural: quando a economia desacelera, os setores que mais contratam homens são os primeiros a demitir. Para uma redução sustentável da desigualdade, seriam necessárias políticas ativas de inclusão feminina em áreas como tecnologia e engenharia”, ponderou Marina Silva.
Projeções para o segundo semestre
O Ministério do Trabalho projeta que o saldo total de empregos formais no segundo semestre de 2026 fique entre 250 mil e 300 mil vagas, abaixo das 350 mil registradas no mesmo período de 2025. Caso a tendência se mantenha, a diferença de gênero pode continuar encolhendo, mas a recuperação econômica prevista para 2027 pode reverter esse quadro.



