O dólar recuou fortemente nesta quarta-feira no mercado global, pressionado por suspeitas de que o Banco do Japão (BoJ) realizou uma intervenção cambial para conter a valorização do iene. A moeda americana caiu 1,2% contra o iene, cotada a 140,20 ienes por dólar, e o índice DXY, que mede o dólar contra seis grandes moedas, perdeu 0,9%, fechando a 104,25 pontos.
Movimento atípico no mercado de câmbio
Operadores relataram um movimento súbito e volumoso de compras de ienes por volta das 10h (horário de Tóquio), o que levou o par USD/JPY a cair de 142,00 para 140,20 em menos de 15 minutos. "Foi um movimento muito agressivo, típico de uma intervenção oficial", afirmou um trader de um grande banco europeu, que preferiu não ser identificado. "O mercado estava testando a paciência das autoridades japonesas."
Histórico de intervenções japonesas
O Japão já recorreu a intervenções cambiais no passado para conter a volatilidade do iene. Em setembro de 2022, o governo japonês gastou cerca de 2,8 trilhões de ienes (aproximadamente US$ 20 bilhões) para sustentar a moeda. Desta vez, analistas estimam que o volume movimentado pode ter sido de US$ 10 bilhões a US$ 15 bilhões, com base no fluxo de ordens observado.
Impacto nos mercados emergentes
A queda do dólar também beneficiou moedas de países emergentes. O real brasileiro subiu 0,7% ante a moeda americana, fechando a R$ 4,85. O peso mexicano e o rand sul-africano também registram ganhos. "A intervenção japonesa dá um alívio temporário para moedas emergentes, mas o cenário global de aperto monetário ainda pesa", avaliou um estrategista do Banco Itaú.
Reação do governo japonês
O ministro das Finanças do Japão, Shunichi Suzuki, afirmou em entrevista coletiva que "o governo monitora de perto os movimentos cambiais e agirá de forma apropriada contra movimentos especulativos exagerados", mas não confirmou a intervenção. A recusa em negar ou confirmar alimentou as suspeitas do mercado.
Perspectivas para o dólar
Especialistas apontam que a eficácia da intervenção pode ser limitada. "Mesmo com a atuação do BoJ, o dólar tende a se fortalecer se o Federal Reserve mantiver uma postura hawkish", disse um analista do Goldman Sachs. A expectativa para a próxima reunião do Fed, em setembro, é de nova alta de 0,25 ponto percentual nos juros, o que deve manter a pressão sobre o iene e outras moedas.



