O Ibovespa registrou alta de 1% nesta segunda-feira, impulsionado pela surpresa positiva do IPCA-15, que ficou abaixo do teto da meta de inflação. O índice de preços, considerado uma prévia da inflação oficial, veio mais baixo do que o esperado pelo mercado, alimentando expectativas de que o Banco Central possa cortar a taxa Selic ainda este ano. Apesar do alívio, analistas ressaltam que a vitória não está garantida e que a trajetória dos juros dependerá dos próximos dados econômicos.
IPCA-15 surpreende e abre espaço para cortes de juros
O IPCA-15 de julho registrou variação de 0,30%, abaixo do teto da meta de 4,5%. O resultado foi comemorado pelo mercado, que vê na desaceleração dos preços um sinal de que a política monetária restritiva está surtindo efeito. Segundo economistas, o dado aumenta a probabilidade de um corte de 0,50 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom, marcada para agosto. No entanto, alertam que a inflação de serviços ainda preocupa e que a comunicação do BC deve ser cautelosa.
Santander Brasil tenta reverter queda
As ações do Santander Brasil (SANB11) ensaiam uma recuperação após acumularem queda de 15% no ano. O balanço do segundo trimestre, previsto para esta semana, é aguardado como um gatilho para a virada. O banco espanhol divulgou lucro líquido de R$ 2,1 bilhões no 1T, mas o mercado espera melhora na margem financeira e na inadimplência. Analistas do BTG Pactual destacam que o Santander está negociando a múltiplos atrativos, mas a recuperação depende de uma execução consistente.
Fluxo cambial negativo de US$ 538 milhões em julho
O Banco Central divulgou que o fluxo cambial total em julho, até o dia 23, está negativo em US$ 538 milhões. O dado reflete a saída de capital estrangeiro da Bolsa brasileira e o aumento das remessas de lucros e dividendos. Apesar disso, o real se manteve relativamente estável, negociado em torno de R$ 5,05 por dólar. Especialistas atribuem o movimento à aversão ao risco global e à incerteza fiscal doméstica.
Entre os destaques positivos, o crédito imobiliário cresceu 23% no primeiro semestre, segundo a Abecip. A entidade revisou suas projeções para 2026, elevando a estimativa de crescimento para 12% ao ano, impulsionada pelo programa Minha Casa Minha Vida e pela queda dos juros futuros. O FGTS também confirmou o repasse de R$ 13 bilhões de lucro aos trabalhadores, o que deve injetar recursos na economia.
Mercado de seguradoras sob pressão
As ações de seguradoras como BBSE3 e CXSE3 foram rebaixadas por corretoras, após desempenho abaixo do esperado no primeiro semestre. O setor sofre com o aumento da sinistralidade e a concorrência acirrada. O Morgan Stanley, por outro lado, vê a correção em ações de inteligência artificial como oportunidade e incluiu papéis brasileiros na tese de investimento.
No âmbito político, pesquisa Datafolha mostrou Lula com 50% dos votos entre mulheres no segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que tem 40%. O petista lidera também na preferência geral, mas a corrida eleitoral de 2026 ainda é incerta. Enquanto isso, a Polícia Federal investiga declarações de Flávio sobre comparações entre Lula e Maduro.
Perspectivas para o segundo semestre
Com o IPCA-15 mais baixo e a expectativa de cortes de juros, o mercado projeta um segundo semestre mais favorável para a renda variável. O Goldman Sachs recomendou ações de utilities, enquanto o JPMorgan destacou oportunidades no setor elétrico. Para investidores de longo prazo, o Tesouro IPCA+ ainda oferece boas taxas, com a possibilidade de acumular R$ 100 mil em alguns anos.



