Ibovespa sobe 1% com IPCA-15 abaixo do esperado; mercado vê alívio mas não vitória
Ibovespa sobe 1% com IPCA-15; mercado vê alívio

O Ibovespa fechou em alta de 1% nesta segunda-feira, surpreendendo o mercado com a divulgação do IPCA-15, que veio abaixo do piso das estimativas. A prévia da inflação encostou no teto da meta, mas ainda assim trouxe alívio para os investidores, que viram a possibilidade de um novo corte de juros. Os juros futuros recuaram em toda a extensão da curva, refletindo o dado mais ameno.

IPCA-15 fica abaixo do esperado e impulsiona mercado

O IPCA-15 de julho registrou alta de 0,30%, abaixo do piso das projeções de mercado, que giravam em torno de 0,35% a 0,40%. O índice acumulado em 12 meses caiu para 4,45%, próximo ao teto da meta de 4,50%. Segundo analistas, o resultado foi puxado por queda nos preços de alimentos e combustíveis. "O IPCA-15 trouxe um respiro para o mercado, mas não é momento de comemorar", afirmou um economista de um grande banco. "A inflação ainda está em patamar elevado e os riscos fiscais persistem."

Juros futuros recuam e mercado aposta em corte da Selic

Com o IPCA-15 abaixo do esperado, os juros futuros caíram em todos os vencimentos. O contrato para janeiro de 2027 caiu de 12,10% para 11,90%, enquanto o para 2029 recuou de 12,30% para 12,10%. A curva de juros agora precifica uma chance de 60% de corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom, em agosto. "O mercado vê espaço para afrouxamento monetário, mas o Banco Central deve agir com cautela", destacou um gestor de renda fixa.

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Outros destaques do mercado: Santander, JBS e WEG

Entre as ações, o Santander Brasil (SANB11) ensaia recuperação após cair 15% no ano. O balanço do segundo trimestre, divulgado na sexta-feira, mostrou lucro de R$ 3,4 bilhões, acima das expectativas. O JPMorgan elevou a recomendação para JBS, rebaixou Minerva e manteve a preferência por MBRF. Já a WEG recebeu upgrade do Goldman Sachs, que agora recomenda compra, mas com cautela. A empresa de motores elétricos tem se beneficiado da demanda por energia limpa.

Investimento estrangeiro negativo e alerta da Fitch

O fluxo de investimento estrangeiro em ações brasileiras foi negativo em US$ 2,794 bilhões em junho, segundo dados do BC. A saída de capital reflete o ambiente de aversão ao risco global. A agência Fitch alertou que a correção em inteligência artificial está se tornando um risco de crédito importante. "O mercado de IA pode estar superaquecido e uma correção brusca pode afetar empresas e bancos expostos", disse analista da Fitch.

Perspectivas: cautela com fiscal e externo

Apesar do alívio com o IPCA-15, o mercado segue atento aos riscos fiscais. O quadro das contas públicas só tende a piorar nos próximos anos, segundo gestor da Armor. A reforma tributária ainda está em tramitação e o governo busca aprovar medidas de aumento de receita. Lá fora, o Fed deve manter juros altos, o que pode pressionar moedas emergenciais. "O Ibovespa pode testar os 177 mil pontos, mas precisa de sinais claros de que a inflação está sob controle", concluiu um analista.

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