Estrategistas do Goldman Sachs reafirmaram que o Brasil continua sendo seu mercado acionário preferido na América Latina, mantendo recomendação 'overweight' (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) no portfólio de mercados emergentes. Em relatório a clientes divulgado nesta quarta-feira, os analistas destacaram que, aos níveis atuais, as ações brasileiras são negociadas a cerca de 8 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses (P/L futuro), um patamar considerado barato tanto em relação às taxas de juros de longo prazo quanto aos padrões observados em ciclos anteriores de queda de juros.
Volatilidade eleitoral e setores sensíveis a juros
Embora a volatilidade possa aumentar no segundo semestre com a aproximação das eleições presidenciais, qualquer alívio na reprecificação mais agressiva das expectativas para os juros, decorrente da redução dos preços de energia, tende a favorecer as ações domésticas mais sensíveis aos juros. Esses papéis acumulam queda no ano e ainda estão cerca de 20% abaixo dos níveis anteriores ao conflito no Oriente Médio, segundo o relatório assinado por Sunil Koul, Kamakshya Trivedi, Timothy Moe, Tarun Lalwani e Mambuna Njie.
Desempenho do Ibovespa e fatores macroeconômicos
A equipe de estratégia de ações de mercados emergentes do banco norte-americano destacou que o Ibovespa teve desempenho forte no início do ano, impulsionado pela entrada de investidores estrangeiros, acumulando valorização de mais de 20% até meados de abril. O início do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central em março endossou o movimento, favorecendo especialmente setores mais sensíveis às taxas de juros. Em seguida, o setor de energia ganhou força com a elevação dos preços do petróleo devido à guerra entre Estados Unidos e Irã, beneficiando exportadoras da commodity.
Desde abril, porém, o mercado devolveu a maior parte desses ganhos, com alta no ano agora em menos de 7%. O Goldman Sachs atribui essa correção a preocupações macroeconômicas, entre elas a perspectiva de um ciclo de afrouxamento monetário mais curto do que o esperado. Atualmente, o mercado de juros precifica nenhuma redução da taxa nos próximos 12 meses, ante cerca de 300 pontos-base de cortes esperados antes do conflito. O aumento da incerteza política com as eleições de outubro e a reversão dos fluxos para o setor de energia após a queda dos preços do petróleo também são citados no relatório.
Recomendações de curto prazo e cenário para América Latina
No curto prazo, os estrategistas sugerem que os investidores se posicionem em empresas domésticas cíclicas de alta qualidade, como bancos defensivos, empresas de serviços de utilidade pública, operadoras de telecomunicações, companhias do setor imobiliário voltadas para a baixa renda e algumas varejistas consideradas baratas. 'Acreditamos que essas empresas apresentam fundamentos sólidos, independentemente do resultado das eleições', afirmaram.
Na América Latina, o Goldman Sachs mantém posição neutra para o México, citando cenário de crescimento fraco tanto macroeconômico quanto microeconômico. 'Além disso, o ambiente para investimentos deve continuar sendo afetado por incertezas internas e externas, especialmente em relação aos rumos da política comercial dos Estados Unidos e à revisão do acordo comercial USMCA', destacaram. Para a Colômbia, a posição também é neutra, apesar do resultado eleitoral considerado favorável ao mercado no início do mês. 'Avaliamos que o mercado acionário colombiano permanece vulnerável a uma correção após a forte alta registrada antes da eleição, em um contexto de retomada do ciclo de alta dos juros e de preocupações fiscais de médio prazo, agravadas pelos riscos de implementação das políticas do novo governo', concluíram.



