Os gastos de brasileiros no exterior atingiram US$ 12,61 bilhões no primeiro semestre deste ano, segundo o Banco Central (BC). O valor representa um crescimento de 22,5% em comparação com o mesmo período de 2024, quando somaram US$ 10,3 bilhões. Este é o maior montante registrado para os primeiros seis meses de um ano desde o início da série histórica do BC, em 1995.
Recorde de gastos com viagens e serviços
O aumento ocorre em um momento de queda na cotação do dólar, o que barateia viagens e compras no exterior. Passagens aéreas, hospedagem e produtos cotados em moeda estrangeira ficam mais acessíveis quando a divisa norte-americana está baixa. Na segunda-feira (27), o dólar fechou em alta de 0,60%, cotado a R$ 5,11, mas no acumulado do ano o recuo é de 6,87%. A desvalorização do real frente ao dólar é influenciada por tensões no Oriente Médio e pela percepção de que o Brasil, como exportador de petróleo, está em posição mais favorável que outras economias, o que atrai divisas e valoriza o real.
Déficit das contas externas recua
O BC também informou que o déficit das contas externas brasileiras caiu 16,34% no primeiro semestre. A conta de transações correntes registrou saldo negativo de US$ 27,47 bilhões, contra um rombo de US$ 32,85 bilhões no mesmo período de 2024. O resultado inclui a balança comercial, serviços adquiridos por brasileiros no exterior e rendas (juros, lucros e dividendos). Segundo a instituição, o déficit tende a diminuir quando a economia desacelera, já que o país demanda menos produtos e serviços estrangeiros.
Investimentos estrangeiros diretos caem, mas cobrem déficit
Os investimentos estrangeiros diretos no Brasil totalizaram US$ 47 bilhões no primeiro semestre deste ano, valor inferior aos US$ 47 bilhões registrados no mesmo período de 2024. Apesar da queda, o montante foi suficiente para financiar o déficit em transações correntes observado nos primeiros meses do ano. O BC destacou que o fluxo de investimentos produtivos continua sendo um importante indicador de confiança na economia brasileira.
O cenário global de tensões geopolíticas e a trajetória da taxa de câmbio devem continuar influenciando os gastos dos brasileiros no exterior e o saldo das contas externas nos próximos meses.



