Recuo do dólar e alívio no petróleo
O dólar abriu a sessão desta segunda-feira (27) em queda, com um recuo de 0,07% por volta das 9h, cotado a R$ 5,0793. O movimento reflete o alívio nas tensões entre Estados Unidos e Irã, que completam dois dias seguidos sem ataques mútuos. Apesar da pausa, não há negociações de paz em andamento, e seis navios foram impedidos pela Guarda Revolucionária iraniana de cruzar o Estreito de Ormuz.
O dia é de trégua nos preços do petróleo. O barril do Brent, referência internacional, tinha queda de 7,83% perto das 8h50, cotado a US$ 89,20. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, recuava 6,94%, a US$ 83,11 o barril.
Cenário geopolítico: pausa sem negociações
Irã e Estados Unidos deram uma pausa na troca de ataques, mas não há negociações de paz em andamento, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei. "Atualmente não temos negociações com os Estados Unidos. As negociações que temos, e que podem genuinamente estar sujeitas a diferentes interpretações, são as negociações que temos com Omã. Elas estão focadas na criação dos acordos necessários em relação ao Estreito de Ormuz", afirmou.
Após a terceira noite consecutiva sem ataques americanos a seu território, o Irã anunciou que também suspendeu seus bombardeios de retaliação contra países vizinhos aliados dos EUA. "Nas duas últimas noites, os americanos detiveram seus ataques. Como nossa estratégia está baseada essencialmente na resposta, também interrompemos nossas operações", afirmou o porta-voz militar iraniano, Mohammad Akraminia. Ele acrescentou que, se os americanos "insistirem em continuar com a guerra, particularmente com ataques aéreos", o conflito "se estenderá ainda mais".
Os aliados houthis do Irã no Iêmen também disseram ter atacado dois petroleiros sauditas como parte de um bloqueio naval à Arábia Saudita, ameaçando criar um segundo ponto de estrangulamento no fornecimento global de petróleo, além do fechamento iminente do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo.
Impacto nos mercados globais
Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street encerraram a sessão de sexta-feira (24) sem direção única, com investidores acompanhando resultados corporativos. O Dow Jones subiu 0,46%, o S&P 500 avançou 0,07% e o Nasdaq Composite recuou 0,63%. Na Europa, a maioria das bolsas fechou em alta, impulsionada pelo alívio nos preços do petróleo. O índice pan-europeu STOXX 600 avançou 0,6%, aos 644,67 pontos. O DAX, da Alemanha, subiu 1,36%; o CAC-40, da França, 0,88%; e o FTSE 100, do Reino Unido, 0,91%.
Na Ásia, a maioria dos índices fechou em queda. O CSI 300, da China, caiu 1,67%; o Hang Seng, de Hong Kong, 0,98%; o Kospi, da Coreia do Sul, 5,72%; e o Nikkei, do Japão, 2,73%.
Agenda doméstica e expectativas
No Brasil, as atenções seguem voltadas para a reação do governo ao tarifaço dos EUA. No domingo (26), o presidente Lula e o presidente chinês, Xi Jinping, conversaram e defenderam o aprofundamento da cooperação bilateral em áreas estratégicas, além da aceleração das negociações para um acordo entre a China e o Mercosul.
Na agenda da semana, o destaque é a decisão de juros nos EUA. Dados da CME Group apontam que a maioria do mercado espera manutenção das taxas pelo Federal Reserve. Dados de atividade e inflação nos EUA e no Brasil também ficam no radar, além de novos balanços corporativos.
Desempenho acumulado
O dólar acumula queda de 0,59% na semana, de 1,59% no mês e de 7,43% no ano. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, apresenta alta de 0,19% na semana, de 1,17% no mês e de 8,02% no ano. As negociações do Ibovespa começam às 10h.
*Com informações da agência de notícias Reuters.



