O dólar comercial fechou esta segunda-feira (13) cotado a R$ 5,13, alta de 1,2% em relação ao pregão anterior, atingindo o maior valor desde março de 2026. A moeda norte-americana foi impulsionada por tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, além da expectativa do mercado pela decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), prevista para esta semana.
Tensões no Oriente Médio pressionam mercados globais
As tensões entre EUA e Irã se intensificaram após relatos de que forças iranianas teriam realizado manobras militares no Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de petróleo. O governo americano respondeu com o envio de navios de guerra adicionais à região, elevando o risco de um conflito direto. Segundo analistas, o temor de interrupção no fornecimento de petróleo elevou a aversão ao risco global, beneficiando ativos considerados seguros, como o dólar.
“O mercado está cauteloso com a possibilidade de uma escalada militar no Oriente Médio. Isso aumenta a demanda por dólar como porto seguro, pressionando moedas emergentes como o real”, afirmou Carlos Viana, economista-chefe da consultoria Valor Investimentos.
Expectativa pelo Fed e impacto nos juros americanos
Além das questões geopolíticas, os investidores aguardam a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed, que ocorre entre terça e quarta-feira. A expectativa predominante é de manutenção da taxa básica de juros americana no intervalo de 5,25% a 5,50%, mas o comunicado e as projeções econômicas serão analisados em busca de sinais sobre futuros cortes.
Dados recentes de inflação nos EUA mostraram leve desaceleração, mas ainda acima da meta de 2%. “Se o Fed sinalizar que pode manter juros altos por mais tempo, o dólar tende a se fortalecer ainda mais frente ao real”, explicou Viana.
Desempenho do real e intervenção do Banco Central
O real foi uma das moedas que mais perderam valor hoje entre os pares emergentes. O Banco Central (BC) brasileiro realizou leilão de swap cambial no início da tarde, ofertando até 15 mil contratos para rolagem de vencimentos, mas a medida não conteve a alta da moeda. Especialistas apontam que o BC pode intensificar intervenções caso a cotação se aproxime de R$ 5,20.
No cenário doméstico, a divulgação do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central, na sexta-feira, mostrou crescimento de 0,3% em maio, abaixo das expectativas do mercado, que esperava alta de 0,5%. O dado reforçou a percepção de desaceleração da economia brasileira, reduzindo o apetite por ativos de risco locais.
Perspectivas para os próximos dias
Analistas preveem que o dólar pode continuar volátil, com os olhos voltados para os desdobramentos geopolíticos e a decisão do Fed. Caso os juros americanos permaneçam elevados, o real pode sofrer pressão adicional. Por outro lado, uma sinalização de cortes iminentes pode aliviar a cotação.
“O cenário é de cautela. O real está vulnerável a choques externos, e a falta de notícias positivas no front fiscal doméstico também pesa”, concluiu Viana.



