DIs fecham em queda com CPI dos EUA abaixo do esperado
DIs caem com CPI dos EUA abaixo do esperado

As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam a terça-feira em queda firme, refletindo o movimento de baixa dos rendimentos dos Treasuries no exterior. O principal gatilho foi o índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que registrou deflação maior que a esperada em junho.

CPI dos EUA surpreende com deflação

O Departamento do Trabalho dos EUA informou que o CPI recuou 0,4% em junho, ante projeção de queda de 0,1% dos economistas consultados pela Reuters. Na base anual, o índice subiu 3,5%, abaixo dos 3,8% esperados. O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, ficou estável no mês e subiu 2,6% nos 12 meses, contra 2,9% do período anterior.

Os dados reforçaram a percepção de arrefecimento da inflação americana no curto prazo. Segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a surpresa tanto no índice cheio quanto no núcleo "reforça a leitura de arrefecimento da inflação americana no curto prazo". Ele ponderou, no entanto, que "esse arrefecimento deve-se principalmente à queda pontual dos preços de energia em junho, favorecida pela trégua no conflito do Oriente Médio, que já reverteu nas últimas semanas com a volta da escalada e do petróleo em alta".

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Impacto nos juros e nos DIs

Com o CPI mais fraco, os investidores reduziram as apostas de que o Federal Reserve elevará a taxa de juros na reunião deste mês. A probabilidade de um aumento de 0,25 ponto percentual caiu de 35% para cerca de 15%. Isso derrubou os rendimentos dos Treasuries, puxando para baixo a curva de juros brasileira.

No fechamento, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,87%, com baixa de 14 pontos-base ante o ajuste anterior de 14,011%. O DI para janeiro de 2035 marcou 14,3%, recuo de 8 pontos-base ante 14,381%. Durante o dia, antes da divulgação do CPI, a taxa para 2028 chegou a 14,065% (+5 pontos-base) às 9h09, mas após o dado atingiu a mínima de 13,860% (-15 pontos-base) às 12h25. A taxa para 2035 tocou a mínima de 14,250% (-13 pontos-base) às 12h23.

Atuação do Tesouro e câmbio

A baixa das taxas dos DIs também foi corroborada pela atuação do Tesouro Nacional no leilão regular de títulos. O órgão vendeu 1,250 milhão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), indexadas à Selic, e apenas 150 mil Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-Bs), papéis vinculados à inflação. Como nas últimas semanas, o Tesouro optou por uma oferta pequena de NTN-Bs para não pressionar a curva a termo.

O dólar também recuou ante o real, caindo para abaixo de R$ 5,10, em linha com o movimento externo.

Cenário externo e geopolítica

No exterior, além do CPI, os investidores monitoravam o conflito entre EUA e Irã e a disputa pelo Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, recuou da proposta de cobrar uma taxa de trânsito de 20% dos navios, afirmando que buscará acordos de investimento com os países do Golfo Pérsico. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a possível cobrança como "pirataria".

Às 16h34, o rendimento do Treasury de dois anos caía 7 pontos-base, a 4,189%, enquanto o de dez anos recuava 3 pontos-base, a 4,579%.

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