Decisões de juros no Brasil e nos EUA pressionam o real
Decisões de juros no Brasil e EUA pressionam o real

Decisões de juros no Brasil e nos EUA pressionam o real

As decisões de juros tomadas nesta quarta-feira (17) tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, embora já esperadas pelo mercado, têm potencial para alterar a dinâmica cambial do real. Enquanto a postura mais rígida do Federal Reserve, mesmo mantendo a taxa de juros, contribui para a valorização global do dólar, a redução da Selic em 0,25 ponto percentual (para 14,25% ao ano) diminui o atrativo do carry trade, fortalecendo ainda mais a moeda americana frente à brasileira.

O carry trade é uma operação financeira que envolve tomar empréstimos em um país com juros baixos e investir em outro com juros mais altos. Com a redução do diferencial de juros entre Brasil e EUA, a moeda brasileira se torna menos atraente para esse tipo de operação. A alta do dólar nesta quinta-feira (18), de aproximadamente 1%, já reflete essa piora nas perspectivas para o diferencial de juros, de acordo com análise de Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.

Visão do mercado

Contudo, instituições como o UBS BB avaliam que o carry brasileiro ainda permanece em nível suficientemente elevado para sustentar a moeda doméstica, favorecendo seu desempenho relativo frente a outras divisas da América Latina. Oliveira Mattos, por outro lado, aponta que o movimento do câmbio deve ser compreendido a partir de dois vetores centrais: a decisão do Copom e a mudança de postura do Fed. Essas decisões alteram o fluxo de capitais e a percepção de risco, pressionando o real.

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No cenário doméstico, Mattos destaca que o corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano, já era amplamente esperado, mas a sinalização de continuidade do ciclo de afrouxamento surpreendeu. Isso ocorreu mesmo com as projeções de inflação ainda acima da meta, o que, na avaliação do analista, reforça a expectativa de juros mais baixos à frente. Além disso, o Banco Central ampliou o horizonte relevante da política monetária para o primeiro trimestre de 2028, decisão interpretada pelo mercado como uma forma de legitimar a continuidade dos cortes.

Com juros projetados em queda, os ativos brasileiros passam a oferecer menor retorno relativo, o que tende a desestimular a entrada de capital estrangeiro. Como consequência, há pressão de alta sobre o dólar, já que a demanda por reais diminui. Esse efeito está diretamente relacionado à dinâmica do carry trade.

Cenário externo

No cenário externo, Mattos ressalta que a decisão do Fed também contribuiu para o fortalecimento do dólar. Embora a autoridade monetária dos EUA tenha mantido os juros, adotou um tom mais duro no combate à inflação, elevando as expectativas de altas futuras. Com isso, os rendimentos dos Treasuries sobem e atraem capital para os EUA. “A combinação de juros mais baixos no Brasil e mais altos nos Estados Unidos piora o diferencial de juros e pressiona o câmbio”, afirma o analista, reforçando que esse ambiente favorece a valorização global do dólar e dificulta o desempenho do real no curto prazo.

Visão construtiva para o real

Mesmo com as decisões desta quarta-feira, para o UBS BB, o nível ainda elevado do carry brasileiro continua sendo um fator relevante de sustentação para o real. Apesar da perspectiva de redução do diferencial de juros ao longo do ciclo de cortes da Selic, a dinâmica ainda permitiria otimismo com a moeda brasileira. Na avaliação da instituição, o prêmio de juros oferecido pelos ativos domésticos permanece atrativo em comparação com outros mercados emergentes, o que tende a favorecer o fluxo de capital estrangeiro e dar suporte à moeda brasileira no curto e médio prazo.

Nesse contexto, o UBS BB mantém uma visão construtiva para o real frente a seus pares regionais, especialmente moedas com menor diferencial de juros. “O real continua sendo nossa moeda preferida na região”, destaca o banco, que expressa essa estratégia por meio de posições compradas contra o peso mexicano (MXN) e o peso chileno (CLP). A leitura é de que, mesmo com ajustes na política monetária, o Brasil ainda oferece um retorno relativamente superior, sustentando o desempenho do câmbio em relação a outras economias latino-americanas.

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DXY

Além da dinâmica já presente pelo diferencial de juros, o mercado também acompanhará de perto o patamar do Índice Dólar (DXY). Com correção de commodities e a decisão do Copom, que para José Faria Jr., da Wagner Investimentos, pode ser lida como “mais dovish”, a reversão da dinâmica do índice pode ser mais um fator complicador para o real. O índice Dólar, que mede a força da divisa norte-americana contra uma cesta de moedas ao redor do mundo, atingiu 100,65 pontos nesta manhã, seu maior patamar em mais de um ano.