Moradores do bairro Jurumirim, em Itapetininga (SP), continuam a enfrentar graves problemas de infraestrutura uma década após a região ser oficialmente incorporada ao município. A área, que antes estava informalmente ligada a Tatuí (SP), passou a pertencer a Itapetininga em 2016, após uma longa disputa judicial que se estendeu por 14 anos.
Histórico da disputa
De acordo com o Instituto Geográfico e Cartográfico (IGC), o bairro sempre fez parte do território de Itapetininga. No entanto, por estar localizado a cerca de 30 quilômetros do centro da cidade e mais próximo de Tatuí, acabou sendo historicamente negligenciado. A proximidade com Tatuí faz com que muitos moradores estudem, trabalhem e utilizem serviços na cidade vizinha.
A disputa judicial entre Itapetininga e Tatuí começou em 2002, motivada pela instalação de um pedágio na Rodovia Antônio Romano Schincariol (SP-127). Na época, o Imposto Sobre Serviços (ISS) era dividido entre os dois municípios. Após obter a resposta do IGC, Itapetininga entrou com um pedido para receber integralmente o valor. Em 2016, a Justiça determinou que o bairro pertencia a Itapetininga, direcionando a arrecadação do pedágio para a cidade.
Problemas persistentes
Em 2017, a TV TEM já havia registrado reclamações de moradores sobre ruas sem nome após a transferência. Uma década depois, a população ainda relata problemas como falta de iluminação pública, ausência de Código de Endereçamento Postal (CEP) e buracos nas vias, que não são totalmente asfaltadas.
O aposentado Donizetti Brito é um dos que sofrem com a precariedade. Para ele, o principal problema é a cobrança da tarifa de pedágio, que precisa pagar sempre que vai a Tatuí, a zona urbana mais próxima. "A isenção de pedágio é um direito adquirido. Existem outros municípios que concedem isenção para moradores de bairros cujo único acesso é pelo pedágio. O direito é igual para todos. Fora outros problemas, como o posto de saúde, que não tem iluminação nem limpeza", lamenta.
O bairro conta com uma unidade de saúde que atende os moradores, mas dentistas locais afirmam que não conseguem realizar atendimentos adequados devido à falta de energia elétrica para os equipamentos. Roberto Dalava, outro morador, destaca a falta de coleta de lixo e infraestrutura para mulheres e crianças. "Falta iluminação pública, os cestos de lixo estão sempre transbordando. Os pontos de ônibus são descobertos, os veículos encalham e tratores precisam puxar. Não estamos pedindo nada demais, são coisas do nosso dia a dia", afirma.
Resposta da prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Itapetininga informou que a manutenção das estradas com cascalhamento é feita periodicamente para ajudar no tráfego e no escoamento agrícola. Novas intervenções estão previstas, mas as datas não foram divulgadas devido às condições climáticas. A gestão também afirmou que a ponte na estrada de acesso ao bairro foi reconstruída recentemente, servindo como desvio da praça de pedágio, e passa por manutenção periódica.
Sobre a isenção do pedágio, a prefeitura orienta os moradores a procurar a SPVias, concessionária responsável pela rodovia. Quanto à unidade de saúde, a administração alega que ela funciona normalmente, com médicos e dentistas, e passou por reforma recente, com roçagem externa a cada 15 dias. A prefeitura também afirma que atende pedidos de limpeza de fossas, mas a instalação de rede de esgoto é responsabilidade da Sabesp.



