A importação ilegal de canetas emagrecedoras contendo tirzepatida, fabricadas no Paraguai e conhecidas como 'Mounjaro do Paraguai', deve movimentar R$ 6,5 bilhões no Brasil em 2023, segundo estimativas do Itaú BBA. Esse mercado paralelo, que inclui farmácias de manipulação, é calculado em R$ 18,9 bilhões, valor 60% superior às vendas do Mounjaro original.
Proibição da Anvisa e demanda crescente
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a comercialização dessas marcas no Brasil, mas a demanda continua a crescer rapidamente. O mercado informal de canetas emagrecedoras é projetado para atingir R$ 26,2 bilhões até 2030, impulsionado pelo alto custo do produto original e pela facilidade de acesso aos produtos ilegais.
As canetas são importadas principalmente do Paraguai, onde são produzidas sem controle de qualidade ou registro nos órgãos reguladores brasileiros. Apreensões frequentes em aeroportos, como a ocorrida no Galeão, evidenciam a magnitude do contrabando.
Impacto no mercado legal
O fenômeno preocupa especialistas em saúde pública, pois os produtos ilegais podem conter dosagens incorretas ou substâncias adulteradas, representando riscos à saúde dos usuários. Além disso, o mercado ilegal desvia receitas do sistema de saúde e prejudica a indústria farmacêutica legal.
Segundo o Itaú BBA, o mercado total de canetas emagrecedoras no Brasil, incluindo o legal e o ilegal, é de aproximadamente R$ 30 bilhões. O produto original, vendido sob prescrição médica, representa uma parcela minoritária desse total.
Medidas de combate
A Anvisa intensificou a fiscalização e as operações de combate ao contrabando, mas a alta lucratividade e a demanda reprimida dificultam a eliminação do mercado paralelo. A agência alerta que a compra desses produtos pode configurar crime e colocar a saúde em risco.



