O Bitcoin recuou para a faixa dos US$ 63 mil nesta sexta-feira, ampliando as perdas da semana em meio à cautela dos investidores com a política monetária do Federal Reserve (Fed) e aos dados de saídas líquidas em fundos negociados em bolsa (ETFs) de criptomoedas. A criptomoeda caiu 2,4% nas últimas 24 horas, negociada a US$ 63.120, segundo dados da CoinDesk.
Fed no centro das atenções
A pressão sobre ativos de risco, incluindo o Bitcoin, vem da expectativa de que o Fed mantenha os juros elevados por mais tempo. Comentários recentes de dirigentes do banco central americano indicaram que a inflação ainda não está sob controle, reduzindo as apostas em cortes nas taxas ainda em 2024. Isso fortalece o dólar e desestimula investimentos em alternativas como as criptomoedas.
“O mercado está precificando uma postura mais hawkish do Fed, o que reduz o apetite por risco. O Bitcoin, que muitas vezes é visto como um hedge, acaba se comportando como um ativo de risco neste cenário”, afirmou André Stanzioni, analista da gestora de criptoativos Hashdex.
Saídas em ETFs de criptomoedas
Outro fator que pesa sobre o preço do Bitcoin é o fluxo negativo observado nos ETFs de criptomoedas à vista nos Estados Unidos. Dados da CoinShares mostram que, na semana encerrada em 26 de julho, os fundos de Bitcoin registraram saída líquida de US$ 175 milhões, a maior desde março. O movimento reflete a realização de lucros após a alta recente e a aversão ao risco.
“A saída de recursos de ETFs é um sinal de que investidores institucionais estão reduzindo exposição, talvez realocando para ativos mais seguros ou esperando um ponto de entrada melhor”, explicou Stanzioni.
Impacto no mercado de criptomoedas
O recuo do Bitcoin arrastou as demais criptomoedas. O Ethereum caiu 3,1%, para US$ 3.280, enquanto a Solana recuou 2,8%. O mercado total de criptomoedas perdeu cerca de US$ 40 bilhões em valor de mercado nas últimas 24 horas, segundo a CoinMarketCap.
A volatilidade deve continuar nos próximos dias, com a agenda de indicadores econômicos dos EUA – como o relatório de empregos de julho – podendo dar novas direções ao mercado. Até lá, a tendência é de cautela e possíveis oscilações adicionais.



